14/11/2012
- 6h15
Texto
copiado: Clóvis Gonçalves
Informação:
Agencia Brasil
Paula
Laboissière
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O avanço da obesidade infantil tem
alterado a incidência do diabetes tipo 2 na população brasileira. A doença, que
geralmente se manifesta na maturidade, já registra diversos casos entre
crianças e adolescentes. No Instituto da Criança com Diabetes, centro
especializado que atende a 2.500 pacientes em Porto Alegre (RS), 3% dos casos
são de diabetes tipo 2.
Em entrevista à Agência Brasil, o
endocrinologista Gustavo Francklin explicou que o diabetes é uma doença
decorrente da alteração na produção e na ação da insulina. No tipo 1, o próprio
organismo reage contra células do pâncreas, responsáveis pela produção da
insulina. No tipo 2, o problema é a resistência do organismo à ação da
insulina, que aparece sobretudo em pessoas obesas e sedentárias.
“Houve mudanças nos hábitos das crianças. Elas
convivem muito com videogame e computador e reduziram as atividades
físicas. A alimentação também mudou, elas comem muito enlatado, fast food”,
disse.
De acordo com o especialista, crianças e
adolescentes diabéticos devem praticar atividade física regular pelo menos
quatro vezes por semana e manter uma alimentação saudável, comendo de cinco a
seis vezes por dia. Devem ser evitados gorduras e carboidratos.
“Batata frita, sanduíche, sorvete, chocolate e
biscoito são alimentos hipercalóricos e geralmente atrativos. São guloseimas e
os pais acabam cedendo, já que é tudo mais fácil, mais prático”, completou.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de
Diabetes, Balduino Tschiedel, o aumento da obesidade entre crianças e
adolescentes e o aumento de casos de diabetes tipo 2 nessa faixa etária podem
significar o aparecimento de complicações ainda mais cedo, como problemas
renais crônicos e amputação de membros.
“O diferencial do tipo 2, além de ser [possível
prevenir], é que ele é tratável com mudanças de estilo de vida. Para o tipo 1
isso não adianta muito, já que foi uma doença autoimune que provocou o quadro”,
explicou. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes indicam que cerca de 12
milhões de pessoas no Brasil sofrem da doença, dos quais 90% a 95% têm o tipo
2.
Lucimeire da Silva Sampaio, 38 anos, é uma dessas
pessoas. A dona de casa foi diagnosticada com a doença aos 13 anos, quando se
preparava para uma cirurgia de retirada do apêndice.
“Assim que foi dado o diagnóstico, comecei a tomar
insulina diariamente e a prestar mais atenção à alimentação. Tento também me
exercitar mais. Quando era mais nova, costumava trapacear, comendo besteiras,
mas percebi logo que não podia mais comprometer minha saúde", contou.
Quando tinha 16 anos, Keila Oliveira de Melo,
técnica de enfermagem, começou a sentir-se mal, mas decidiu não procurar
atendimento. “Achei que fosse um mal-estar passageiro, mas fui perdendo os
sentidos, até que entrei em coma”. Os exames constataram que ela tinha
diabetes. “Passei a controlar a alimentação, com os horários certos de cada
refeição e a me exercitar mais. Nunca tive complicações, nem mesmo quando
engravidei”.
Ana Carolina Luz Bezerra, de 18 anos, foi
diagnosticada quando tinha apenas 9 anos. Ela apresentou sintomas
clássicos da doença, como perda de peso, aumento da vontade de urinar e muita
sede.
“Como eu era muito novinha, tive dificuldades para
seguir o tratamento. Na escola, via meus colegas com lanches como salgadinhos,
suco e eu não podia mais comer essas coisas, pois passava muito mal. Ainda
assim, extrapolava de vez em quando. Até que tomei consciência do que tenho e
passei a me controlar mais. Hoje, não tenho muitos problemas em cuidar da
alimentação”, contou.
Edição: Tereza Barbos