CAMPANHA QUER INCENTIVAR DENÚNCIAS DE CORRUPÇÃO
13/11/2012
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Dyelle Menezes
Do Contas Abertas |
O Movimento do Ministério
Público Democrático (MPD) está promovendo a campanha “Não Aceito Corrupção”,
que busca envolver a população e incentivar a denúncia de casos de corrupção
em todas as esferas da sociedade. “O propósito é muito mais amplo. Queremos
mudar a cultura de combate à corrupção de cada cidadão”, explica o
coordenador da campanha, Roberto Livianu.
"Esta campanha pretende
fazer um alerta a todos os brasileiros, chamando-os a atuar mais
democraticamente e exercer seu direito de cidadão, com ênfase na devastação
social que a corrupção produz e continuará a produzir se nada fizermos",
afirma Livianu.
O processo para qualquer
cidadão é simples: as denúncias referentes à corrupção devem ser realizadas
no site especificamente criado para a campanha e encaminhadas a cada um dos
Ministérios Públicos Estaduais. A identificação não é obrigatória e a gestão
das informações recebidas caberá ao Ministério Público destinatário.
Em ano eleitoral, que já contou
com a instauração da CPI contra o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o julgamento
do Mensalão, o objetivo do MPD é levar uma mensagem impactante sobre os males
e os impactos da corrupção no Brasil, que podem ser conferidos nos dois
vídeos da campanha.
Composta por dois filmes para
TV e cinema, anúncios de jornal, spots de rádio, banners de internet e
mensagens em aeroportos, a campanha é veiculada em todo o país.
Em um dos filmes, intitulado
"Bebê", um bebê saudável tem todas as suas vestes e pertences
retirados e acaba no chão de uma rua movimentada, sem nada e ninguém para
ajudá-lo. Já o outro filme, denominado "Mãos", mostra como a
corrupção impacta as pessoas comuns, mostrando uma criança indignada, jogando
baldes de água nos corruptos.
Segundo Augusto Diegues,
diretor da Flag Comunicação, idealizadora dos vídeos, o maior desafio de
campanhas como esta é ativar a capacidade de indignação das pessoas.
"Infelizmente, as pessoas
parecem anestesiadas pelo aparente tom de normalidade que o tema conquistou
após décadas de escândalos. Nosso trabalho buscou sensibilizar a sociedade,
de modo simples e direto, para o verdadeiro desastre causado pela
corrupção", esclarece Diegues.
Segundo Livianu, a repercussão
da campanha tem sido extraordinária. “Muitas pessoas têm tido acesso aos
vídeos, que são bastante explicativos e impactantes. Assim, eles têm se
multiplicado com grande rapidez e chegado a diversos estados no país”,
afirmou.
A internet tem sido cada vez
mais utilizada para criar mecanismos de denúncias de fácil manejo para a
população. Antigamente, denunciar pagamentos de propina passava por
instâncias como repartições públicas, longos processos jurídicos, caros
advogados e dezenas de formulários e carimbos.
Hoje, com um email, alguns
cliques ou uma mensagem de texto, é possível em poucos segundos fazer
denúncias de todo o tipo também em outros sites como I Paid a Bribe (“Eu
paguei propina”, www.ipaidabribe.com), a plataforma que produz
mapas Ushahidi (www.ushahidi.com) e o próprio Contas Abertas,
que recebe e investiga suspeitas de irregularidades e denúncias de corrupção
no governo.
No Contas Abertas, muitas das
demandas vêm de acadêmicos e jornalistas, mas há uma crescente participação
por parte do cidadão comum, que cada vez mais quer monitorar contas de sua
prefeitura. Livianu também destaca o recorrente aumento das denúncias,
principalmente com a participação da população mais jovem.
“Ficamos sabendo de um caso
extremo de retorno aos nossos vídeos. Uma criança de sete anos, moradora de
Curitiba, chamou a atenção pai ao questionar se a corrupção “matava
crianças”. Ela concluiu que isso era muito ruim para o mundo”, conta.
“A juventude está mudando as
táticas do ativismo anticorrupção. Eles trazem consigo um incrível entusiasmo
por tecnologias móveis e novas mídias, como vídeos”, disse Heather Leson, uma
das diretoras da Ushahidi, à BBC Brasil. “Esses jovens ativistas agora atuam
e compartilham, ininterruptamente, em redes sociais. Assim, eles não precisam
mais usar arquivos em PDF de 50 páginas para lutar contra a corrupção. Estão
livres disso”, concluiu.
É justamente esse
fortalecimento do cidadão comum o principal trunfo da plataforma Ushahidi, de
que ela é diretora. O projeto foi criado como resposta ao caos que tomou
conta do Quênia após as eleições de 2008. Um mapa com os focos de violência
no país foi criado com base nas informações enviadas pela população, via
telefone, SMS ou e-mail.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Postado por
Clóvis Gonçalves
