Pesquisa inédita mostra que
7,9% das crianças no País têm enxaqueca
Levantamento feito com mais de 5 mil crianças de 87
cidades brasileiras mostrou que a enxaqueca crônica aumenta em 37,1% as chances
de desempenho escolar abaixo da média
Agência
Estado |
28/09/2012 11:40:08
Queixas frequentes de dor de cabeça em crianças devem ser
levadas a sério. Um estudo recente concluiu que 7,9% das crianças brasileiras
de 5 a 12 anos têm enxaqueca.
O levantamento, apresentado este mês no 26.º
Congresso Brasileiro de Cefaleia, é o primeiro a avaliar a prevalência da
enxaqueca infantil no País.
“Ao contrário do que o leigo geralmente pensa,
criança tem enxaqueca e é uma doença que traz prejuízos. Quando não recebe
atendimento adequado, essa criança pode desenvolver dificuldades emocionais”,
diz o autor do estudo, o neurologista Marco Antonio Arruda, diretor do
Instituto Glia de Cognição e Desenvolvimento.
Outra conclusão é que crianças com cefaleia têm o desempenho escolar
prejudicado. Os resultados completos serão publicados na edição de outubro da
revista científica Neurology.
Apenas 17,9% das crianças brasileiras nunca se
queixaram de dores de cabeça, de acordo com a investigação. E, além dos 7,9%
que têm enxaqueca episódica, 0,6% apresenta a forma crônica da doença, que se
caracteriza por dores em mais de 15 dias por mês.
Quanto ao impacto nas atividades escolares, o
levantamento descobriu que, na população com enxaqueca, o risco de ter
dificuldade em prestar atenção na aula é 2,8 vezes maior do que entre as
crianças saudáveis. Já o risco de ter um desempenho abaixo da média é
32,5% maior entre as com enxaqueca episódica e 37,1% maior entre as com
enxaqueca crônica.
O problema também é motivo de faltas: 32,5% das
crianças com enxaqueca episódica perdem dois ou mais dias de aula por causa da
dor. Além disso, os sintomas de depressão e ansiedade têm um risco 5,8
vezes maior de aparecerem nas crianças com enxaqueca.
Arruda coordena uma comunidade acadêmica que
integra neurologistas e educadores. Em 2008, foram recrutados 124 professores
que faziam parte dessa comunidade e estavam dispostos a participar da pesquisa.
Eles foram treinados para a aplicação de questionários e a colheita da
amostragem ideal. No total, foram avaliadas 5.671 crianças de 18 Estados e 87 cidades
brasileiras.
Para identificar os sintomas relativos à cefaleia,
os professores aplicaram um questionário validado cientificamente para os pais
das crianças. Já a avaliação do desempenho escolar foi preenchida pelos
próprios professores. Em seguida, esses dados foram cruzados para se encontrar
a relação entre a enxaqueca e os estudos.
De acordo com o neurologista do Hospital Israelita
Albert Einstein Mario Fernando Prieto Peres, os principais sinais de que a
criança pode estar sofrendo de enxaqueca, além das queixas frequentes de dor de
cabeça, são enjoo, vômito, incômodo com luz ou barulho, relato de alteração
visual e de dores pulsantes.
O neuropediatra Carlos Takeuchi, do Hospital
Infantil Sabará, observa que, no caso das crianças, gatilhos comuns para a
cefaleia são excesso de sol, longos períodos de jejum e o consumo de alguns
alimentos.
Atualmente, o tratamento para enxaqueca infantil
segue três passos: analgésicos para as crises, alteração de hábitos que
desencadeiam a dor e, caso as mudanças não sejam suficientes para cessar o
problema, aplica-se também um tratamento profilático com medicamento de uso
contínuo. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.