terça-feira, 3 de novembro de 2026

GOVERNO LULA REJEITA REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL NA PEC DA SEGURANÇA

Por Gazeta Brasil

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Na pauta, quinta e última sessão de discussão e votação, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 - seis dias de trabalho e um de repouso ( PEC 221/2019). O texto reduz a jornada laboral de 44 para 40 horas semanais, que podem ser cumpridas em cinco dias de oito horas diárias com repouso semanal remunerado de dois dias. A proposta estabelece dois dias de repouso, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. Mesa: senador Omar Aziz (PSD-AM); senador Carlos Portinho (PL-RJ); senador Eduardo Braga (MDB-AM); senador Otto Alencar (PSD-BA); presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Carlos Moura/Agência Senado.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou, nesta última  terça-feira (3/10), a manutenção do texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública na votação do Plenário do Senado. O objetivo do Palácio do Planalto é barrar a inclusão de emendas em especial a que reduz a maioridade penal para evitar que a proposta precise retornar à Câmara dos Deputados, o que atrasaria sua promulgação.  A diretriz foi anunciada pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, após reunião com líderes partidários da Câmara e do Senado. 

De acordo com o ministro, a preservação do texto aprovado pelos deputados é essencial para viabilizar a criação do novo Ministério da Segurança Pública e constitucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). “A posição do governo, depois de avaliar todas as possibilidades, é que vamos votar a PEC tal como veio da Câmara. O relator vai trabalhar para não acatar nenhuma emenda”, declarou Guimarães.

ALINHAMENTO COM A BASE NO SENADO FEDERAL

A principal negociação interna envolve a emenda apresentada pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. O governo defende que o debate sobre a punição de jovens infratores ocorra em uma proposta separada. “Queremos separar esse debate para votar em outro momento. Não somos contra a discussão da redução da maioridade penal, mas ela pode tramitar por meio de outra PEC”, explicou o ministro das Relações Institucionais, ressaltando que a prioridade do momento é a aprovação célere da estrutura de segurança nacional.

A líder do governo na Casa, senadora Teresa Leitão (PT-PE), reforçou a necessidade de manter o foco temático da proposta para garantir a celeridade do processo legislativo. “Trazer a discussão da maioridade para essa PEC é o que chamamos de ‘corpo estranho’. É uma questão estruturante que deve ser tratada em comissão especial dedicada ao tema, como a Câmara fez no passado”, destacou a parlamentar.

CAMINHO PARA A APROVAÇÃO

A PEC da Segurança Pública tem como eixo central a ampliação da integração entre a União, os estados e os municípios nas ações de combate ao crime organizado. Já aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a matéria está pronta para apreciação dos senadores. 

Para ser promulgada, a proposta exige o voto favorável de pelo menos 49 dos 81 senadores, em dois turnos de votação. Caso qualquer alteração de mérito seja acatada pelo plenário, o texto terá que passar por nova análise dos deputados federais, cenário que a articulação política do governo tenta evitar a todo custo nesta reta final. Fonte: Gazeta Brasil.