terça-feira, 20 de outubro de 2026

INQUÉRITO SOBRE LULINHA: PF COBRA DO STF MAIS TEMPO PARA RASTREAR VIAGENS, PAGADORES E CONTAS BANCÁRIAS

Por Gazeta Brasil

Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) solicitou à sua área técnica a elaboração de uma série de relatórios aprofundados para devassar as atividades financeiras e logísticas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As medidas foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (20/10). Entre as diligências ordenadas, a Polícia Federal exige o mapeamento minucioso de todas as viagens nacionais e internacionais de Lulinha desde janeiro de 2023, a identificação dos pagadores de suas passagens e hospedagens, o cruzamento de dados para verificar em quais ocasiões esteve acompanhado da lobista Roberta Luchsinger, e o levantamento completo de suas movimentações bancárias, vínculos societários e reuniões em órgãos do governo federal. A corporação pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do prazo dos dois inquéritos sigilosos contra Lulinha. Os pedidos de dilação foram protocolados após o vencimento do prazo inicial de 60 dias, sob a justificativa de que o tempo foi insuficiente para concluir os relatórios técnicos.

MAPEAMENTO DE VIAGENS A PORTUGAL E CONTRATOS MILIONÁRIOS

Ao todo, a PF expediu 13 ofícios no âmbito das duas apurações. Um dos focos dos investigadores é reconstituir com precisão a cronologia de uma viagem a Portugal realizada por Lulinha em junho de 2024, seguida do deslocamento do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e de pessoas ligadas a ele.

AS FRENTES DE INVESTIGAÇÃO ESTÃO DIVIDIDAS EM DOIS EIXOS CENRAIS

Ministério da Saúde: Apura supostas vantagens indevidas na intermediação de contratos de cannabis medicinal envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e o “Careca do INSS”. Ministério do Desenvolvimento Social (MDS): Investiga a suposta atuação do filho do presidente na facilitação de contratos de tecnologia no valor de R$ 53 milhões para o empresário Cléber Ribas. A apuração inclui análises detalhadas de operações financeiras atípicas, créditos, débitos e transferências bancárias entre os investigados.

O QUE DIZEM AS DEFESAS

As defesas dos alvos contestaram duramente a atuação da Polícia Federal e pediram o arquivamento das investigações:

DEFESA DE LULINHA: O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que “faltou coragem” à PF para arquivar o caso, por ausência de elementos probatórios. Afirmou que Lulinha só é investigado por ser filho do presidente e criticou setores da corporação por suposta “instrumentalização político-eleitoral” da autonomia policial a poucos dias do pleito.

DEFESA DE ROBERTA LUCHSINGGER:  Criticou os novos requerimentos e defendeu que o inquérito não pode funcionar como uma “licença para investigar a vida de uma pessoa”, reforçando a tese de arquivamento.

Defesa de Cléber Ribas: Negou categoricamente qualquer irregularidade nos contratos de R$ 53 milhões com o MDS, afirmando que os acordos foram firmados sob critérios estritamente legais e transparentes, sem intermediação política. Fonte: Gazeta Brasil