Por Gazeta Brasil
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A Polícia Federal (PF) solicitou à sua área técnica a elaboração de uma série de relatórios aprofundados para devassar as atividades financeiras e logísticas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As medidas foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (20/10). Entre as diligências ordenadas, a Polícia Federal exige o mapeamento minucioso de todas as viagens nacionais e internacionais de Lulinha desde janeiro de 2023, a identificação dos pagadores de suas passagens e hospedagens, o cruzamento de dados para verificar em quais ocasiões esteve acompanhado da lobista Roberta Luchsinger, e o levantamento completo de suas movimentações bancárias, vínculos societários e reuniões em órgãos do governo federal. A corporação pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do prazo dos dois inquéritos sigilosos contra Lulinha. Os pedidos de dilação foram protocolados após o vencimento do prazo inicial de 60 dias, sob a justificativa de que o tempo foi insuficiente para concluir os relatórios técnicos.
MAPEAMENTO
DE VIAGENS A PORTUGAL E CONTRATOS MILIONÁRIOS
Ao
todo, a PF expediu 13 ofícios no âmbito das duas apurações. Um dos focos dos investigadores
é reconstituir com precisão a cronologia de uma viagem a Portugal realizada por
Lulinha em junho de 2024, seguida do deslocamento do empresário Antônio Camilo
Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e de pessoas ligadas a ele.
AS FRENTES DE INVESTIGAÇÃO ESTÃO DIVIDIDAS EM DOIS EIXOS CENRAIS
Ministério
da Saúde: Apura supostas vantagens indevidas na intermediação de contratos de
cannabis medicinal envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e o “Careca do INSS”.
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS): Investiga a suposta atuação do
filho do presidente na facilitação de contratos de tecnologia no valor de R$ 53
milhões para o empresário Cléber Ribas. A apuração inclui análises detalhadas
de operações financeiras atípicas, créditos, débitos e transferências bancárias
entre os investigados.
O
QUE DIZEM AS DEFESAS
As
defesas dos alvos contestaram duramente a atuação da Polícia Federal e pediram
o arquivamento das investigações:
DEFESA
DE LULINHA: O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que “faltou coragem”
à PF para arquivar o caso, por ausência de elementos probatórios. Afirmou que
Lulinha só é investigado por ser filho do presidente e criticou setores da
corporação por suposta “instrumentalização político-eleitoral” da autonomia
policial a poucos dias do pleito.
DEFESA
DE ROBERTA LUCHSINGGER: Criticou os
novos requerimentos e defendeu que o inquérito não pode funcionar como uma
“licença para investigar a vida de uma pessoa”, reforçando a tese de
arquivamento.
Defesa
de Cléber Ribas: Negou categoricamente qualquer irregularidade nos contratos de
R$ 53 milhões com o MDS, afirmando que os acordos foram firmados sob critérios
estritamente legais e transparentes, sem intermediação política. Fonte: Gazeta Brasil
