Por Gazeta Brasil
Foto: DivulgaçãoA Polícia Civil do estado do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta última quinta-feira (13/8), a Operação Criptoabate para desarticular uma organização criminosa especializada em aplicar golpes bilionários por meio de falsas plataformas digitais de investimento. A ofensiva cumpre 10 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. As investigações tiveram início após uma aposentada de 70 anos, moradora do RS, relatar à polícia ter sofrido um prejuízo de R$ 37 milhões. De acordo com o delegado Eibert Moreira, a idosa havia recebido o montante de uma herança e possuía um perfil agressivo de investimentos. Ela foi convencida pelos criminosos a retirar todo o seu patrimônio de uma corretora lícita e transferi-lo gradualmente para as contas da quadrilha.
ENGENHARIA
SOCIAL E FALSAS PROMESSAS
Para
atrair a vítima, a quadrilha utilizava técnicas avançadas de engenharia social.
A aposentada foi inserida em grupos de mensagens que simulavam comunidades
financeiras legítimas, com a participação de falsos especialistas, assistentes
e perfis fictícios que validavam os resultados positivos. Os suspeitos
apresentavam relatórios e orientações diárias para passar uma aparência de
profissionalismo. O golpe era consolidado no momento em que a idosa tentava
resgatar os valores. A plataforma simulada bloqueava os saques, e os criminosos
passavam a exigir novos pagamentos sob a justificativa de quitação de falsas
taxas operacionais, impostos e custos de liberação.
LAVAGEM
DE DINHEIRO E USO DE CRIPTOATIVOS
De acordo com as apurações, a organização criminosa possuía uma cadeia estruturada para a ocultação do dinheiro. Eles recrutavam “laranjas” para a abertura de empresas de fachada e contas bancárias. Assim que o dinheiro da vítima entrava no circuito, os valores eram rapidamente pulverizados e distribuídos entre diferentes CNPJs. Para dificultar o rastreamento, parte considerável das cifras era convertida em criptoativos. A quebra de sigilo financeiro revelou que, em apenas um dos braços investigados, a quadrilha converteu aproximadamente 675 mil unidades de USDT (criptomoeda emparelhada ao dólar) em um intervalo de apenas três dias. A Polícia Civil identificou que a rede de atuação digital faz outras vítimas, mapeando ao menos 140 potenciais lesados em todo o país. Os alvos dos mandados incluem empresários, administradores, operadores financeiros e até uma profissional do sistema bancário. Os agentes agora trabalham na análise do material apreendido para localizar bens e tentar recuperar o patrimônio sequestrado. Fonte: Gazeta Brasil.