Por Metrópoles
Foto: Michael Melo/MetrópolesO Banco Master repassou ao menos
R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos ligados à Reag, gestora
investigada pela Polícia Federal sob suspeitas de fraudes no banco e também de
lavagem de dinheiro do setor de combustíveis com ligação com o crime
organizado. O levantamento foi feito entre 112 operações de crédito cedidas a
terceiros que constam de uma lista de empréstimos apresentada à Justiça pelo
liquidante do Master, como parte de um recurso em que o pai de Daniel Vorcaro,
Henrique Vorcaro, busca anular o congelamento de seus bens.
De acordo com as investigações da
PF, a Reag teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de
movimentar recursos de forma atípica e inflar resultados, com indícios de
fraude e lavagem de dinheiro. Um dos alvos da investigação é o fundador da
Reag, João Carlos Mansur. A suspeita apurada pelos investigadores é de que, na
verdade, as operações se davam para que o banco abrisse espaço para emitir
novos CDBs e pegar empréstimos. Por essa linha, o banco captaria dinheiro com
CDBs e os valores seriam emprestados para empresas que aplicavam o dinheiro em
fundos. Esses fundos, então, usariam parte dos valores para comprar empréstimos
feitos pelas empresas. Os valores não seriam cobrados e o calote recairia sobre
os fundos.
A reportagem localizou os R$ 3,6
bilhões repassados a 11 fundos diferentes nessa lista, que traz operações entre
2021 e 2025. O documento mostra diversas operações em que o início do contrato
de empréstimo ocorreu no mesmo dia em que a dívida foi repassada para o fundo. Seis
operações, por exemplo, registram empréstimos que somam R$ 130 milhões a
empresas do grupo Gafisa, que tem entre seus acionistas o investidor Nelson
Tanure. No mesmo dia, as ações são repassadas para o fundo Yvrac Fundo de
Investimento em Participações Multiestratégia um fundo que tem participação do
próprio Master. A primeira operação desse tipo ocorreu em 2022 e, a última, em
setembro do ano passado. O último informe trimestral do fundo, feito pela Reag,
afirmou que “os lastros apresentados estão em conformidade com a característica
do fundo (Direitos Creditórios) e correspondem aos ativos refletidos na
carteira”.
ESTRUTURA FROZEM
Conforme o Metrópoles mostrou, o Master
também repassou R$ 357 milhões em créditos de dívidas a um dos fundos citados
na Operação Carbono Oculto, que apura crimes envolvendo o Primeiro Comando da
Capital (PCC). O fundo em questão, o Astralo 95, foi citado na operação que
apura fraudes, lavagem de dinheiro e uso de empresas e fundos para ocultação de
recursos ilícitos no setor de combustíveis, em esquema supostamente ligado ao
PCC. O Astralo 95 aparece como parte da chamada “estrutura Frozen”, composta
por fundos cujos nomes fazem referência a personagens da animação “Frozen”, da
Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações de crédito repassadas ao
fundo foram contraídas por oito pessoas físicas e jurídicas diferentes, entre
2022 e 2024.
O Astralo 95 é alvo também do
liquidante por uma série de operações suspeitas, em ação que visa impedir que
os bens do Banco Master desapareçam. Em uma das peças, o Astralo é citado como
parte de uma negociação em que o fundo Anna teria ganhado R$ 200 milhões em
menos de um dia. Na transação, o Anna comprou cotas do fundo RSG pertencentes
ao Astralo 95 por R$ 900 milhões; no mesmo dia, revendeu ao fundo Máxima 2,
controlado pelo Master, por R$ 1,1 bilhão. Fonte: Metropoles.