Por Municípios Newa
Foto: Divulgação
A inteligência artificial vem transformando a medicina em
diversas especialidades e, na gastroenterologia, os avanços já são percebidos
na prática clínica. Na endoscopia intervencionista, sistemas inteligentes têm
auxiliado médicos na identificação de lesões precoces, avaliação de tumores,
análise de imagens em tempo real e tomada de decisões mais precisas durante
procedimentos minimamente invasivos.
Estudos recentes mostram que a tecnologia pode aumentar
significativamente a taxa de detecção de alterações pré-cancerígenas e cânceres
em estágio inicial no trato gastrointestinal, ampliando as chances de
tratamento curativo e reduzindo a necessidade de intervenções mais agressivas.
Segundo publicações científicas internacionais divulgadas entre 2025 e 2026, a
inteligência artificial já é considerada uma das maiores revoluções da
endoscopia moderna.
De acordo com o médico endoscopista intervencionista Dr.
Vitor Galvão, que utiliza recursos de inteligência artificial em procedimentos
diagnósticos e terapêuticos, a tecnologia não substitui o médico, mas potencializa
sua capacidade diagnóstica.
“A inteligência artificial funciona como uma ferramenta de
apoio extremamente sofisticada. Ela consegue analisar milhares de padrões de
imagem em frações de segundo e sinalizar áreas suspeitas que poderiam passar
despercebidas ao olho humano. Isso aumenta a segurança do exame e melhora a
detecção precoce de lesões”, explica.
Uma das áreas que mais tem se beneficiado é a colonoscopia.
Sistemas de inteligência artificial conseguem destacar pólipos milimétricos
durante o exame, auxiliando na prevenção do câncer colorretal, um dos tumores
mais incidentes no Brasil e no mundo. O mesmo avanço já é observado em exames
do esôfago, estômago, pâncreas e vias biliares.
Na ecoendoscopia, método que combina ultrassonografia e
endoscopia para avaliação de órgãos internos, estudos demonstram que algoritmos
de deep learning alcançaram índices superiores a 94% de acurácia na
diferenciação entre câncer de pâncreas e pancreatite crônica focal, um desafio
diagnóstico importante para especialistas.
Outra aplicação promissora ocorre durante a
Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE), procedimento utilizado
para tratar doenças das vias biliares e pancreáticas. Modelos baseados em
inteligência artificial já conseguem prever dificuldades técnicas antes mesmo
da intervenção, contribuindo para reduzir complicações e aumentar a segurança
dos pacientes. Além disso, sistemas integrados à colangioscopia digital
alcançaram sensibilidade de aproximadamente 92% na identificação de estenoses
malignas das vias biliares.
Os avanços também chegam aos procedimentos terapêuticos. Durante a Dissecção Endoscópica da Submucosa (ESD), técnica minimamente invasiva utilizada para remoção de tumores precoces do trato digestivo, a inteligência artificial auxilia na delimitação das margens das lesões e na avaliação da profundidade da invasão tumoral, contribuindo para decisões mais assertivas entre tratamento endoscópico e cirurgia convencional.
Para Dr. Vitor Galvão, o impacto da tecnologia vai além do diagnóstico. “Estamos caminhando para uma medicina cada vez mais personalizada. A tendência é que a inteligência artificial consiga integrar informações clínicas, exames laboratoriais, dados genéticos e imagens endoscópicas, oferecendo uma visão muito mais completa de cada paciente. Isso significa diagnósticos mais rápidos, tratamentos mais precisos e melhores resultados”, destaca.
Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a decisão final continua sendo humana. Consensos internacionais publicados pela Organização Mundial de Endoscopia (WEO) ressaltam que a responsabilidade pelo diagnóstico e pela conduta médica permanece sob responsabilidade do profissional, cabendo à inteligência artificial o papel de ferramenta de apoio à decisão clínica. Congresso discutirá avanços da IA na saúde
As aplicações da inteligência artificial na endoscopia
intervencionista estarão entre os temas debatidos durante o Primeiro Congresso
de Inteligência Artificial na Saúde, promovido pelo Portal Viver Mais. O evento
será realizado no dia 13 de junho, das 8h às 17h, no auditório do NH Hotel, em
Feira de Santana, reunindo especialistas, gestores, profissionais e estudantes
para discutir como a tecnologia já está transformando a assistência à saúde,
desde a marcação de consultas até procedimentos de alta complexidade.
Dr. Vitor Galvão será um dos palestrantes convidados do
Primeiro Congresso de Inteligência Artificial na Saúde e abordará os avanços da
inteligência artificial na endoscopia intervencionista, destacando aplicações
que já contribuem para a identificação precoce de lesões, prevenção de cânceres
e aumento da segurança dos procedimentos minimamente invasivos. Fonte: Municípios
News.