Por Folha do Estado da Bahia
Foto: ReproduçãoA violência contra a mulher continua sendo uma das principais demandas da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Feira de Santana. Segundo a secretária Neinha Bastos, cerca de 85% das mulheres atendidas pela rede municipal se declaram evangélicas, dado que acende um alerta sobre a necessidade de ampliar o debate sobre violência doméstica também dentro dos espaços religiosos. De acordo com a gestora, muitas vítimas convivem por anos com agressões psicológicas, físicas, patrimoniais e sexuais sem denunciar os agressores. O medo, a dependência emocional e a crença de que apenas a oração será suficiente para resolver o problema acabam prolongando o sofrimento.
“Muitas mulheres hoje dentro do evangelho tomam remédios controlados para suportar a violência que sofrem. Elas acreditam que apenas a oração resolverá o problema, mas é preciso entender que oração e ação caminham juntas. A mulher precisa denunciar e buscar ajuda”, afirmou Neinha. Segundo a secretária, a violência psicológica está entre as formas mais recorrentes de agressão relatadas pelas vítimas. O abuso emocional, o controle excessivo, o isolamento social e as humilhações constantes comprometem a saúde mental das mulheres e dificultam a identificação do relacionamento abusivo.
“A mulher vai adoecendo aos poucos. Ela perde a autoestima, se afasta da família e dos amigos e passa a acreditar que não consegue viver sem aquele relacionamento. Quando chega até nós, muitas vezes já está emocionalmente fragilizada”, explicou. Neinha Bastos também destacou que a violência doméstica não escolhe classe social, profissão ou condição financeira. Segundo ela, a Secretaria recebe diariamente mulheres de diferentes perfis, incluindo empresárias, profissionais liberais e mulheres de alto poder aquisitivo.
“Feira de Santana recebe mulheres vítimas de violência que
muitas pessoas nem imaginam. Temos mulheres empreendedoras, mulheres da alta
sociedade e profissionais bem-sucedidas procurando ajuda. A violência está
presente em todas as camadas da sociedade e muitas vezes acontece de forma
silenciosa”, ressaltou. Acolhimento e
proteção. Fonte: Folha do Estado da Bahia.