Por SBR News
Foto: Divulgação
Nasceu em Piracicaba, no interior de São Paulo, o primeiro porco clonado da América Latina. O projeto, de pesquisadores da USP, pretende avançar no uso de órgãos e tecidos de outros animais para o transplante em seres humanos. Com 15 dias de vida e 3,1kg, o animal está crescendo saudável. Essa é a melhor notícia que os pesquisadores poderiam receber. O 011 não é um porco qualquer: é o primeiro clonado do Brasil e da América Latina. Nasceu no Instituto de Zootecnia, em Piracicaba, interior de São Paulo. É resultado de seis anos de estudos de profissionais do Centro de Pesquisa sobre Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo. Como se não bastasse o feito, os mesmos pesquisadores deram mais um salto científico usando um óvulo de porca. O núcleo, que guarda informações genéticas, está sendo retirado e agora substituído por células geneticamente manipuladas. O óvulo vai virar um embrião que será transferido e dará origem a porquinhos clonados, mas ainda mais especiais.
Os
porcos geneticamente modificados, em um futuro próximo, serão doadores de órgãos
para transplantes em humanos rins, coração, córneas e pele. A técnica é
esperança para cerca de 84 mil brasileiros que estão na fila aguardando por um
órgão. No Brasil, a cada três horas, um paciente morre porque um órgão
compatível não chegou. A compatibilidade é a chave para o sucesso de um
transplante e isso explica o empenho dos cientistas. "A gente precisava
modificar geneticamente os suínos porque a gente sabe que, se a gente não
modificasse, esse órgão ia ser rejeitado imediatamente. E, ao longo de décadas
de pesquisa, a gente conseguiu identificar três genes dos suínos que eram
responsáveis por essa rejeição muito violenta. Então, o que a gente faz no laboratório
aqui? A gente inativa esse gene, como se fosse uma tesourinha molecular, e
também inserimos sete genes humanos, tudo isso com o objetivo de evitar a
rejeição e fazer com que esse órgão funcione por um longo período de
tempo", afirma Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da
USP.
Doze
porcas vão gerar os primeiros porquinhos geneticamente modificados. Após
nascerem, eles ficarão oito meses em um espaço criado no Instituto de Pesquisas
Tecnológicas de São Paulo. Tempo suficiente para que os órgãos atinjam o
tamanho necessário para serem transplantados em humanos adultos. Sim, serão
abatidos, mas certamente salvarão algumas vidas.