quarta-feira, 22 de abril de 2026

PASTOR É CONDUZIDO À DELEGACIA APÓS ACUSAÇÃO DE HOMOFOBIA EM HOSPITAL DE FEIRA DE SANTANA

Por Acorda Cidade

Pastor Moisés | Foto: Arquivo Pessoal

Um pastor foi conduzido à delegacia após ser acusado de homofobia dentro do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana. O caso aconteceu na última segunda-feira (20/4), véspera de feriado e está sendo apurado pela Polícia Civil. Moisés Neri dos Santos, popularmente conhecido como Pastor Moisés, já viralizou nas redes sociais com suas pregações em espaços públicos e privados da cidade. Ele realiza prestação de serviço religioso na unidade hospitalar e foi denunciado por um servidor após uma suposta fala considerada ofensiva.

“Ele foi acusado de ter cometido a conduta de homofobia contra um servidor de lá do próprio hospital. Fomos acionados justamente para atuar nessa situação pelo fato de que ele deveria ter sido conduzido, mas o acordo entre a guarnição que compareceu, nós nos dirigimos de maneira espontânea e lá conversando com o delegado ele entendeu que deveria fazer com termo circunstancial, não flagrantear a ele pela questão da homofobia e abrir uma investigação para apurar os fatos.”

Ainda segundo o advogado do pastor, a pessoa que se sentiu violentada é estudante de direito e relatou que a suposta conduta foi feita de forma generalizada, e não direcionada diretamente a ela. “A vítima, um estudante de direito, do quarto semestre de uma faculdade de nossa cidade, se sentiu ofendido pela conduta que porventura ele tenha cometido e foi de forma generalizada, não de forma direta”, afirmou o advogado.

Armênio Seixas, advogado | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

O caso foi registrado por meio de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), e não houve prisão em flagrante. Todos os envolvidos foram ouvidos, incluindo uma testemunha, e liberados em seguida. A defesa informou que aguarda agora a decisão do Judiciário sobre os desdobramentos do caso. O advogado disse ainda que orientou o pastor a tomar cuidado com declarações públicas, que de alguma forma, podem ferir a legislação brasileira, consequentemente, as pessoas que são protegidas por elas.

“Entendemos não apoiar condutas que são inadequadas. Assim eu falei com ele justamente para se policiar e tomar cuidado com o que diz, porque hoje em dia principalmente com as leis que estão em vigor em nosso país pode trazer sérios problemas para pessoas como o pastor Moisés, que foi pregar a palavra dentro do hospital e acabou tendo que ir até a delegacia para prestar esclarecimentos.”

Vale reforçar que, desde 2019, a homofobia é considerada crime no Brasil por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a enquadrar esse tipo de discriminação na Lei de Racismo. Na prática, ofensas, exclusão ou atos de preconceito contra pessoas LGBTQIAPN+ podem gerar punição criminal. Fonte: Acorda Cidade.