Por Gazeta Brasil
Foto: Divulgação
O
empresário Maurício Camisotti, preso em setembro de 2025 no âmbito da Operação
Sem Desconto, firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF)
para detalhar o esquema de fraudes em descontos indevidos aplicados a
aposentados e pensionistas do INSS. A informação foi publicada pelo jornal O
Estado de S. Paulo. Apontado como um dos principais operadores da organização
investigada, Camisotti foi detido junto ao lobista Antônio Carlos Camilo
Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os depoimentos do empresário já foram
colhidos pela Policia Federal e encaminhados ao gabinete do ministro André Mendonça, relator
do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se o acordo será
homologado.
Em
caso de aprovação, a colaboração pode garantir benefícios ao investigado,
incluindo a possibilidade de transferência para prisão domiciliar. No fim de
março, Camisotti já havia sido transferido da Penitenciária II de Guarulhos
para a Superintendência da PF em São Paulo, medida que facilitou as negociações
da delação. As investigações apontam que o esquema funcionou entre 2019 e 2024
e pode ter causado um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões aos beneficiários do
INSS.
Segundo
a Polícia Federal, o grupo atuava em três frentes principais: criação de
associações de fachada, pagamento de propina a servidores para obtenção de
dados de segurados e uso de assinaturas falsificadas para autorizar descontos
diretamente nos benefícios. Ainda de acordo com a apuração, Camisotti mantinha
ligação com entidades como a Associação dos Aposentados Mutualistas para
Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil
(Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas
(Cebap). Juntas, essas organizações teriam movimentado cerca de R$ 1 bilhão.
O
filho do empresário, Paulo Camisotti, também foi citado nas investigações e
chegou a ser ouvido pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do
INSS, em fevereiro, na condição de testemunha. Na ocasião, ele permaneceu em
silêncio ao ser questionado sobre sua relação com empresas das quais aparece como
representante ou presidente. A Polícia Federal aponta que o esquema envolvia
empresas e entidades que realizavam cobranças diretamente nos benefícios de
aposentados e pensionistas muitas vezes sem autorização gerando prejuízos em
larga escala ao longo dos anos. Fonte da Informação Gazeta Brasil.