Por Jornal Grande Bahia
Ilha
da Paixão, em Candeias (BA), reúne infraestrutura de alto padrão e teve direito
de ocupação transferido em 2023 para empresa vinculada a fundo ligado a Augusto
Lima. Na segunda-feira (20/04/2026), uma investigação revelou que a chamada
Ilha da Paixão, localizada ao norte de Candeias, na Região Metropolitana de
Salvador, passou por mudança de titularidade em 2023 e está associada, por meio
de estruturas societárias, ao empresário Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master.
O imóvel, avaliado em cerca de R$ 20 milhões, teve seu direito de ocupação
transferido por R$ 1,3 milhão a uma empresa posteriormente vinculada a fundos
sob controle do executivo. A área, anteriormente conhecida como Ilha do Topete,
foi rebatizada após a negociação realizada em julho de 2023. Com
aproximadamente 10 mil metros quadrados, o local reúne infraestrutura de alto
padrão, incluindo:
Praia
privativa
Piscina
e sauna
Quadra
esportiva
Espaço
para eventos
Heliponto
Apesar
da valorização estimada, a transação formal envolveu apenas o direito de
ocupação, conforme registro cartorial. A Secretaria do Patrimônio da União
(SPU) confirmou que a ocupação da ilha é regular desde 1987.
ESTRUTURA SOCIETÁRIA E LIGAÇÃO COM FUNDOS DE INVESTIMENTO
O
direito de ocupação foi transferido para a empresa RC Participações, Assessoria
e Consultoria Empresarial S.A., sociedade com capital declarado de R$ 45,5
milhões. Poucos meses antes, em janeiro de 2023, essa empresa havia sido
adquirida pelo Falcon Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.
A CADEIA SOCIETÁRIA SE APROFUNDA:
O
Falcon pertence ao fundo Haena 808
Dados
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que Augusto Lima é o único
cotista do Haena 808
Os
fundos eram administrados pela gestora Reag, citada em investigações
relacionadas a operações financeiras
Esse
encadeamento estabelece uma ligação indireta entre a ilha e o empresário.
Documentos
da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que o empresário Eduardo
Valente, antigo ocupante, transferiu à RC o direito de uso do heliponto na
mesma época da negociação. Além disso, relatos de fontes ouvidas sob reserva
indicam que a aquisição teria sido realizada diretamente por Augusto Lima.
Comerciantes e empresários da região confirmaram a presença prolongada de
equipes técnicas na ilha após a transação.
Reformas
e intervenções estruturais
Após
a mudança de controle, a ilha passou por uma ampla reestruturação. As
intervenções incluíram:
Demolição
de construções preexistentes
Reconstrução
de áreas residenciais e de lazer
Implantação
de novos projetos paisagísticos
A
movimentação mobilizou dezenas de profissionais, entre arquitetos, paisagistas
e trabalhadores da construção civil, com impacto perceptível na economia local.
PERFIL
DO EMPRESÁRIO E CONTEXTO JUDICIAL
Augusto Lima foi detido em novembro de 2025, no âmbito da Operação Compliance Zero, permanecendo preso por 11 dias antes de obter liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Atualmente, responde a investigações sob monitoramento eletrônico. Além de sua atuação no Banco Master, o empresário também controlava o Banco Pleno, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central. Ele também esteve envolvido em negócios públicos, como a exploração do CredCesta, voltado a servidores públicos na Bahia. A defesa do empresário não comentou o caso. O antigo ocupante da ilha também não se manifestou até o momento. *Com informações Jornal Grande Bahia.