sexta-feira, 10 de abril de 2026

GOVERNO SANCIONA LEI QUE TORNA HOMICÍDIO VICÁRIO CRIME HEDIONDO

Por SBT News

Violência é uma das maiores preocupações dos brasileiros, segundo pesquisa Ipsos | Unsplash

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que cria no Código Penal o crime de homicídio vicário e inclui o conceito da violência vicária na Lei Maria da Penha. O texto foi publicado nesta sexta-feira (10/4), no Diário Oficial da União (DOU). O homicídio vicário ocorre quando filhos ou outros familiares são assassinados com o objetivo de atingir emocionalmente uma mulher. Isso significa que, apesar de não ser alvo direto do ato, o crime é cometido para provocar dor, punição psicológica ou vingança na vítima.

Agora, o homicídio vicário passa a ser enquadrado no Código Penal. O texto especifica que o crime será caracterizado se for cometido contra descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher. A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão a mesma do feminicídio. O tempo de punição ainda pode aumentar de 1/3 à metade se for cometido:

Na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento, punição ou controle;

Contra criança ou adolescente, pessoa idosa ou com deficiência;

Em descumprimento de medida protetiva de urgência.

A lei ainda amplia o conceito de violência vicária para além do homicídio, incluindo o crime na Lei Maria da Penha. Outros atos praticados com o objetivo de atingir psicologicamente uma mulher mesmo sem resultar em morte passam a ser reconhecidos como formas de violência doméstica e familiar. É o caso da lesão corporal, que pode ser dolosa, culposa ou preterdoloso.

VIOLÊNCIA

O projeto de lei ganhou força no Congresso após o caso do secretário de Governo de Itumbiara (GO), que, em fevereiro, matou os dois filhos para causar sofrimento à esposa. Segundo as autoridades, Thales Machado atirou contra as crianças, de 12 e 8 anos, e, em seguida, tirou a própria vida. O filho mais novo chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Ao apresentar o texto na Câmara, a deputada Silvye Alves (União-GO) afirmou que esse tipo de violência é uma das formas mais cruéis e ainda pouco notificadas no país. Segundo ela, entre os casos relatados, a maioria envolve disputas de guarda, visitas e migração internacional. “Devemos proteger não só crianças e adolescentes, mas todas as pessoas usadas por um homem”, disse.