Por Bahia Notícias
Foto: Claudio Gatti
O
escândalo do Banco Master tem abalado estruturas da República, especialmente
nos altos círculos do poder em Brasília. Os sucessivos vazamentos ampliam as
especulações de quem pode ser atingido pelo lodo revolvido por Daniel Vorcaro e
a trupe dele. Todavia, na Bahia, o alerta vem de ativos adquiridos e
posteriormente vendidos pelo Banco Master, ligados ao CredCesta, que serviram
de catapulta para que o banco escalonasse o acesso a movimentações financeiras
milionárias.
Apesar
da tendência a demonizar as relações criadas entre as elites políticas e
econômicas, é preciso ter cuidado para não colocar tudo em um mesmo balaio. Há
promiscuidade nessas relações dada as especificidades das informações que
circularam relacionadas a Vorcaro. Todavia, nem todo contato resultou em
conexões sombrias para enriquecimento ilícito e/ou desvios de recursos
públicos. Por essa razão, a investigação formal, feita pelas autoridades
competentes, é fundamental para que os desdobramentos não afetem os rumos do
Brasil – e da Bahia, já que uma parte importante do escândalo registra o
nascedouro aqui.
Até
aqui, políticos baianos das mais diversas matizes foram citados, direta ou
indiretamente, por proximidade com um coadjuvante no episódio do Master, o
empresário Augusto Lima. A começar pela venda da Cesta do Povo para ele,
durante a gestão do então governador Rui Costa e sob influência do então
secretário do Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner. Depois, já durante o
governo de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, os laços se estenderam ao
então ministro da Cidadania, João Roma.
Na
última semana, foi a vez de ACM Neto aparecer na tela, com o recebimento de R$
3,6 milhões do Banco Master, identificados por notas fiscais emitidas por uma
empresa da qual ele é sócio. Ou seja, da mesma forma que os tentáculos de
Vorcaro se espraiam em Brasília, o caminho é similar na Bahia. No caso de ACM
Neto, entretanto, foi a primeira vez em que apareceram cifras ao lado de um
nome da cena política baiana, ainda que tudo registrado e, pelas justificativas
dadas, lícito.
A
lógica do uso das folhas de pagamento funcional para crédito consignado,
criticada após a publicação de que a prefeitura de Salvador concedeu
exclusividade ao CredCesta, se repete entre o funcionalismo estadual e não
houve o mesmo alarde. E, no caso do governo da Bahia, os limites para
consignado junto a esse ente bancário é maior do que para outros similares.
Prefeituras da Bahia, como Alagoinhas e Ilhéus, também usaram o mesmo
expediente para “garantir” acesso a crédito aos servidores públicos utilizando
o modelo criado a partir da venda da Cesta do Povo para a iniciativa privada. À
época da assinatura dos convênios, os gestores eram do PSD, o que acaba por
confirmar que a teia de relações políticas e econômicas não obedece a ideologia
e não necessariamente são ilegais ou imorais.
É
óbvio que ilicitudes devem ser investigadas e punidas. Contudo, a partir de
vazamentos seletivos e limitados, é preciso tomar muito cuidado para não
criminalizar ainda mais a atividade política que, por vezes, é problemática.
Para Vorcaro e companhia chegarem aonde chegaram foi necessário desenvolver
habilidades que incluem o trânsito com atores do Executivo, do Legislativo e do
Judiciário. E com todos os espectros políticos possíveis. Sob o risco de
vivermos um vórtex parecido com a Operação Lava Jato que, ao fim e ao cabo, nos
legou bem menos do que prometeu. Fonte da Informação Bahia Notícias.