Por SBT News
Tenente-coronel e soldado Gisele | Reprodução/Antonio Souza
A
Justiça de São Paulo tornou réu, nesta última quarta-feira (18/3), o tenente-coronel da
Polícia Militar Geraldo Neto por feminicídio pela morte da esposa, a soldado
Gisele Alves Santana. A vítima foi encontrada com um tiro na cabeça no
apartamento onde o casal vivia, no centro da capital paulista, no dia 18 de
fevereiro. A decisão foi tomada pela juíza do 5º Tribunal do Júri da Capital,
que aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo.
Segundo as promotoras responsáveis pelo caso, há indícios suficientes de
autoria e materialidade do crime.
De
acordo com a acusação, Geraldo Neto responde por feminicídio qualificado, por
ter sido cometido em contexto de violência doméstica, agravantes como motivo
torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, fraude processual, por
suposta tentativa de alterar a cena do crime. O tenente-coronel foi preso nesta
quarta-feira (18) e encaminhado à sede da Corregedoria da Polícia Militar, no
centro de São Paulo.
A
prisão preventiva havia sido solicitada pela Polícia Civil e pela própria
Corregedoria na terça-feira (17) e autorizada pela Justiça Militar estadual. Mais
cedo, o advogado Eugênio Malavasi afirmou ao SBT News que contesta a legalidade
da prisão preventiva decretada pela Justiça Militar. Segundo ele, os crimes
investigados teriam ocorrido no âmbito privado, sem relação direta com a função
exercida pelo policial militar.
INVESTIGAÇÃO
APONTOU FEMINICIDIO
Para
os investigadores, o tenente-coronel matou a mulher e alterou a cena do crime.
O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho,
depois de uma conversa sobre um possível divórcio. A bala que atingiu a
policial saiu da arma do tenente-coronel, conforme as investigações.
A
primeira farsa descoberta pelos peritos é desmontada pela posição do corpo de
Gisele, quando os bombeiros chegaram. Ela estava caída no chão da sala, entre o
móvel da TV e um sofá. A posição das pernas e dos pés, um deles embaixo do
móvel, o local da poça de sangue, e a posição da arma, encaixada na mão de
Gisele, para os peritos, são sinais evidentes de que a cena não era de um
suicídio.
Os
peritos derrubaram ainda uma outra mentira contada pelo tenente-coronel. Os
legistas constataram que Gisele teve relação sexual antes de ser morta. Para
justificar o fim do casamento, o oficial da PM disse em depoimento que os dois
já não tinham mais um relacionamento e que dormiam em camas separadas havia 6
meses.
A
versão sobre o momento da morte também foi atacada. Um primeiro laudo do
Instituto Médico Legal (IML) já havia encontrado no pescoço e no rosto de
Gisele marcas "de lesões contundentes por meio de pressão digital e
escoriação", ou seja, ela teria sofrido uma espécie de esganadura. Agora,
os peritos concluíram que ela foi imobilizada pelo pescoço, e que estava
desmaiada no momento do disparo. Vestígios de sangue foram encontrados no banheiro
e em outros cômodos do apartamento.
O
comportamento do oficial da PM também chamou a atenção dos investigadores. Uma
vizinha disse que ouviu o disparo às 7h30min da manhã, mas o tenente-coronel só
fez a primeira ligação para pedir socorro meia hora mais tarde.Fonte: SBT News.