Por SBT News
O cão Orelha era mascote de moradores de Praia Brava, em Florianópolis | Reprodução/Instagram/@janjalula
A
Polícia Civil de Santa Catarina concluiu nesta última terça-feira (3/2) a investigação
sobre a morte do cão comunitário Orelha e as agressões contra o cachorro
Caramelo, ocorridas na Praia Brava, em Florianópolis. Com o encerramento da
fase investigativa, os inquéritos serão encaminhados ao Poder Judiciário, que
dará sequência aos trâmites legais. Nos dois casos, a corporação atribui os
maus-tratos a adolescentes, mas não informou quantos participaram de cada
crime. No caso Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados. Já no
caso Orelha, a Polícia Civil pediu a internação de um adolescente e indiciou
três adultos por coação a testemunha.
As
investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de
Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal
(DPA), ambas da capital, com apoio de uma força-tarefa envolvendo diferentes
órgãos de segurança do Estado. Para esclarecer a autoria do crime contra
Orelha, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de
segurança, captadas por 14 equipamentos instalados na região. Ao todo, 24
testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados.
Entre as provas reunidas estão as roupas usadas pelo autor, identificadas nas
filmagens, além de dados de geolocalização analisados por um software francês
utilizado pela Polícia.
Ainda
de acordo com a investigação, um dos adolescentes informou que saiu de um
condomínio na Praia Brava às 5h25 da manhã e retornou às 5h58 acompanhado de
uma amiga. O que contradiz seu depoimento inicial, em que afirmou ter
permanecido dentro do condomínio. As imagens, aliadas a testemunhos e outras
evidências, já confirmavam que ele deixou o condomínio. No mesmo dia em que a
Polícia identificou os suspeitos, o adolescente viajou para o exterior,
permanecendo fora do país até 29 de janeiro. No retorno ao Brasil, ele foi
interceptado no aeroporto. Na ocasião, um familiar tentou esconder um boné rosa
e um moletom que, segundo a Polícia, foram utilizados no dia do crime. O
adolescente admitiu que já possuía a peça antes da viagem, contrariando a versão
apresentada pelo familiar.
A
análise dos dados extraídos dos aparelhos de celular apreendidos deve reforçar
elementos probatórios já obtidos e pode revelar novas informações sobre o caso,
diz a polícia. O cão Orelha viveu por cerca de dez anos nos arredores da Praia
Brava e era cuidado de forma comunitária por moradores da região, que se
organizavam para alimentá-lo, fornecer abrigo e acompanhar sua rotina. No
início de janeiro, após dois dias desaparecido, o animal foi encontrado em
estado grave. Apesar do resgate e do atendimento veterinário, acabou submetido
à eutanásia devido à gravidade das lesões e ao intenso sofrimento. Fonte: SBT
News