Por Jornal Correio 24 Horas
[Edicase]A água de coco oferece benefícios além da hidratação (Imagem: Here Asia | Shutterstock) Crédito: Imagem: Here Asia | Shutterstock
Vista
como símbolo de saúde, a água de coco pode ser perigosa e até fatal para quem
tem insuficiência renal ou passou por um transplante de rim. O alerta é de
especialistas da Sociedade Brasileira de Nefrologia e de publicações médicas do
Brazilian Journal of Nephrology, que explicam que o excesso de potássio
presente na bebida pode desencadear uma condição grave chamada hipercalemia,
capaz de causar arritmia e parada cardíaca.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia explica que a eliminação do potássio ocorre principalmente pelos rins. Quando o órgão não funciona adequadamente, o mineral se acumula no sangue e interfere no funcionamento do coração. No artigo “Potássio e Bicarbonato”, publicado pela própria instituição no Brazilian Journal of Nephrology, é destacado que todo paciente com Doença Renal Crônica deve ser avaliado para prevenção da hipercalemia e da hipocalemia, justamente por conta do risco cardíaco associado ao excesso do mineral.
A Bahia deixou de ser o maior produtor de coco do Brasil por Marina Silva/CORREIO
O
mesmo artigo, ao citar a hipercalemia, explica que o aumento do potássio no
sangue pode alterar o funcionamento elétrico do coração, tornando os batimentos
mais lentos e irregulares. Nos exames de eletrocardiograma, isso aparece como
alterações nos traçados elétricos, e quando o nível do mineral sobe demais,
essas mudanças podem evoluir para uma parada cardíaca. Isso significa que, para
pacientes renais ou transplantados, o consumo de bebidas naturalmente ricas em
potássio, como a água de coco, pode, de fato, representar risco de morte.
O
risco é ainda maior para pessoas transplantadas, que fazem uso de medicamentos
imunossupressores como tacrolimo e ciclosporina. De acordo com o portal da
Sociedade Brasileira de Nefrologia, esses medicamentos podem reduzir a
capacidade de excreção de potássio pelo novo rim, aumentando a chance de
hipercalemia mesmo com ingestão aparentemente pequena do mineral.
Por
isso, médicos e nutricionistas especializados em nefrologia recomendam que
pessoas com doença renal ou transplantadas evitem a água de coco, a menos que
haja liberação expressa do profissional responsável pelo acompanhamento. O
consumo de frutas, sucos e chás também deve ser orientado individualmente, com
base em exames recentes e na função renal de cada paciente.
Entre
os sintomas de alerta para o excesso de potássio estão fraqueza muscular,
formigamentos, náusea, batimentos cardíacos irregulares e desmaios. Em
situações de emergência, o atendimento médico deve ser imediato. A recomendação
para hidratação nesses casos inclui água filtrada, chás claros sem adição de
potássio e sucos de frutas com baixo teor do mineral, sempre sob orientação
médica. O acompanhamento laboratorial frequente é essencial para garantir a
segurança de quem vive com doença renal ou passou por transplante. Fonte: Jornal Corrio 24 Horas.