Por Atarde
Casos
de assédio, inclusive sexual, bem como ameaça de morte por parte de um
dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de Feira de Santana, foram alvos de
denúncia, nesta quarta-feira, dia 26 de junho (quarta-feira), na Câmara Municipal. Um grupo de
trabalhadoras e trabalhadores compareceu à sessão legislativa, sendo
representado na Tribuna Livre por Zuleide Soares de Santana. Integrante da
diretoria do órgão sindical, ela fez um apelo por providências, das autoridades
responsáveis. Zuleide relatou que, em razão do problema, há várias mulheres
“com crise de ansiedade e medo de sair sozinhas nas ruas”. O nome do acusado
das práticas criminosas, bem como de um outro dirigente, de hierarquia
superior, conivente com os fatos, já são de conhecimento da Delegacia
Especializada em Atendimento à Mulher nesta cidade
Funcionária
de uma empresa fabricante de eletrodomésticos, Zuleide esteve acompanhada, na
Tribuna da Casa da Cidadania, por uma das vítimas do sindicalista. “Ele se
masturbou na frente dela. E por achar ser um ato normal, o abusador confirmou o
que fez diante de outas mulheres e também do seu superior”. Zuleide lamentou
que tais acontecimentos estejam sendo registrados dentro do movimento sindical,
onde os dirigentes deveriam lutar para garantir os direitos das mulheres
trabalhadoras.
Para
Zuleide, as mulheres estão vivendo o “tempo de empoderamento feminino, só de
boca, porque, infelizmente, os nossos direitos ainda precisam sair do papel”. Disse
ainda que, dentro do Sindicato dos Metalúrgicos de Feira e Região, tem casos
que vão além do assédio, como a proibição da entrada, na sede da entidade, de
mulheres vítimas de assédio, e interferência junto a empresas para impedir que
recebam seus salários. “Até a polícia na porta do sindicato colocaram. E as
meninas estão sem receber salário, porque o sujeito que as assedia solicitou
paras as empresas bloquearem o pagamento delas. A gente não aguenta mais”,
desabafou.
Após contato com alguns órgãos, sem conseguir serem ouvidas, as metalúrgicas resolveram tornar pública a situação, por meio do Poder Legislativo: “O que estamos solicitando é que a Câmara se atente para esta questão, pois a cada 10 minutos mais de 100 mulheres são assediadas. E em uma hora, passa de uma centena o número de meninas vítimas de estupro no Brasil”. Segundo a sindicalista, este cenário pode piorar, se houver aprovação do Projeto de Lei 1904, em nível federal, “proposta irá penalizar mais, a mulher estuprada que fizer o aborto, do que o abusador que cometer o crime”. (Crédito: Atarde)