Por Clóvis Gonçalves
Mais
uma vez sob ameaça, Maria da Penha receberá proteção, e sua casa será
transformada em um memorial, servindo como referência no combate à violência
contra a mulher. Segundo informações, Maria da Penha tem sido alvo de uma série
de ataques por parte da extrema direita e de grupos conhecidos como “red pills”
e “masculinistas”, que se organizam em comunidades digitais para disseminar
ódio às mulheres. Essa onda de misoginia se apoia em fake news e mentiras que
buscam desacreditar a palavra das mulheres, como símbolo da luta contra a
violência doméstica no Brasil, Maria da Penha é um dos principais alvos desses
ataques. Uma das fake news questiona as duas tentativas de feminicídio pelo
qual seu ex-marido foi condenado, desmentindo informações já confirmadas pela
Justiça. Diante dessa situação, a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, viajou
ao Ceará para se reunir com o governador Elmano de Freitas (PT) e a Secretaria
de Mulheres.
Ficou
decidido que Maria da Penha será incluída no programa de proteção a defensoras
de direitos humanos e receberá segurança particular. O local onde ela mora está
alugado, e o projeto para transformá-lo em memorial estava inviabilizado por
falta de recursos. Além disso, a família precisava vender a casa. A pedido da
ministra, o governo do estado iniciou o processo de desapropriação do imóvel,
declarando-o de utilidade pública. “A sociedade machista e misógina delega às
mulheres a tarefa de provar, de inúmeras maneiras, as violências que sofreram
nas mãos de seus atuais ou ex-companheiros, mesmo após eles terem sido julgados
e condenados”, declarou a ministra. “Da mesma forma, insiste na falácia de
‘ouvir o outro lado’, ou seja, os agressores condenados, criando uma onda de
ódio e fake news sobre elas e contra elas”, acrescentou.
Ela disse estar “sem palavras” diante das emoções vividas nos últimos dias devido à criação do memorial. Maria da Penha, no entanto, insiste que não se sente sozinha. “O que me fortalece é saber que não estou sozinha na defesa da Lei Maria da Penha. Temos muitas pessoas verdadeiramente comprometidas com esta causa, o que nos fortalece a cada dia”, afirmou. Ela disse estar “sem palavras” diante das emoções vividas nos últimos dias devido à criação do memorial. “Vislumbro com esperança a aproximação de ações promissoras para o fortalecimento da luta das mulheres por um mundo livre de violência. É garantindo o direito à memória e à verdade que poderemos construir um futuro de justiça”, completou. Fonte: Voz da Bahia.