Por Clóvis Gonçalves
A Justiça expediu o mandado de prisão provisória e busca e
apreensão contra Andres por estupro de vulnerável. O anestesista colombiano
ainda é investigado por produzir e armazenar pornografia infantil em um inquérito
remetido para a Vara Especializada em Crimes contra Criança e Adolescentes a
partir do qual a polícia descobriu os abusos. Andres Eduardo Oñate Carrillo
estava legal no país e com a documentação em dia. O colombiano atuava tanto em
hospitais públicos quanto particulares. O médico foi preso na Barra da Tijuca
(RJ), em casa. A mulher dele abriu a porta para os policiais, que acordaram
Andres ao lhe dar voz de prisão. A polícia não informou o que Andres disse em
sua defesa ao ser preso. As investigações da Delegacia da Criança e Adolescente
Vítima, que contou com apoio da inteligência da Polícia Civil, tiveram início
em dezembro, a partir do compartilhamento de informações do Serviço de Repressão
a Crimes de Ódio e Pornografia Infantil da Polícia Federal.
À época, a Polícia Federal identificou a possibilidade de
vasta movimentação de arquivos pornográficos em posse de Andres Eduardo Oñate
Carrillo e encaminhou o caso à Polícia Civil. Foi autorizada a quebra de dados
em compartimentos do celular do suspeito diante das suspeitas, onde foram encontradas
mais de 20 mil mídias de abusos infantis. Mas três arquivos feitos pelo próprio
médico chamaram a atenção dos investigadores. “Quando vimos, logo de início,
tratamos como casos de estupro, partindo do princípio de que ele mesmo teria
produzido. Mas precisávamos avançar na identificação das vítimas e materializar
os crimes. Pelos metadados dos vídeos, certificamos a localização do suspeito
no ato da gravação, identificando os hospitais e descobrindo os dias. Aí
partimos para a tentativa de descobrir as mulheres ali sedadas.
Com as listas de pacientes operados nos dias, fomos buscando
características físicas e eliminado possibilidades até chegar às pacientes”,
explicou o delegado titular da Dcav, Luiz Henrique Marques. Os vídeos que
Andres gravou foram mostrados às vítimas, que se reconheceram, mas não tinham
ciência de que haviam sido estupradas. O 1º crime do colombiano aconteceu no
dia 15 de dezembro de 2020 no Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de
Nazareth, em Saquarema, Região dos Lagos, durante a realização de uma cirurgia
de laqueadura. O 2º estupro de Andres foi em 5 de fevereiro de 2021 em uma das
salas de cirurgia do “Hospital do Fundão”, da UFRJ, durante um procedimento
para retirada de útero.