Por Clóvis Gonçalves
O Ministério da Saúde informou, no último domingo (22 de janeiro), que estuda
acelerar a publicação de um edital do Programa Mais Médicos para recrutar
profissionais, tanto formados no Brasil quanto no exterior, para atuação em
território Yanomami. A medida é uma das ações da Sala de Situação, criada para
apoiar ações de enfrentamento à desassistência sanitária dos povos Yanomami. “Tínhamos
um edital só para brasileiros. Só em seguida que faríamos um edital para
brasileiros formados no exterior e, depois, para estrangeiros. Frente à
necessidade de levarmos assistência à população dos distritos indígenas,
especialmente aos Yanomami, queremos fazer um edital em que todos se inscrevam
de uma única vez”, explica o secretário de Atenção Primária à Saúde, Nésio
Fernandes.
Segundo o secretário, com o edital único, quando esgotarem
as vagas para brasileiros, aquelas remanescentes automaticamente irão para os
brasileiros formados no exterior. Persistindo a vacância, as vagas irão para
estrangeiros que queiram participar, de modo que haja um processo mais célere.
A ideia é otimizar o trabalho e suprir o atendimento nos distritos indígenas. De
acordo com a pasta, o governo federal vai garantir recursos para um edital em
andamento, em que há 77 médicos alocados na região Yanomami. O Distrito
Sanitário Especial Indígena Yanomami é um dos que mais carece de profissionais
entre os territórios, com apenas 5% das vagas ocupadas. Por isso, a necessidade
de um novo edital formulado já a partir desta semana, contemplando a
necessidade da saúde indígena.
ABANDONO
Desde a última segunda-feira (16 de janeiro), equipes do Ministério da
Saúde se encontram na região Yanomami, território indígena com mais de 30 mil
habitantes. O grupo se deparou com crianças e idosos em estado grave de saúde,
com desnutrição acentuada, além de muitos casos de malária, infecção
respiratória aguda (IRA) e outros agravos. Em visita à região neste último sábado (21 de janeiro),
o presidente Lula afirmou que a situação dos povos Yanomami, em Roraima, é
desumana. Lula esteve em Boa Vista e viu de perto a crise sanitária que atinge
os indígenas. A situação já levou à morte 570 crianças nos últimos anos, sendo
que 505 tinham menos de 1 ano. No ano de 2022, foram registrados 11.530 casos
confirmados de malária na terra Yanomami. Atualmente, cerca de 700 indígenas
estão sendo atendidos na casa de apoio, a maioria crianças com desnutrição
grave. Umas das ações prioritárias, para o presidente, é organizar a rede
logística para o transporte de suprimentos e das pessoas entre as aldeias e a
cidade, como a melhoria de pistas de pouso de aeronaves em regiões mais
próximas às comunidades. Fonte Agência Brasil