Por Clóvis Gonçalves
O
ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Mello criticou o
seu ex-colega na Suprema Corte Alexandre de Moraes pela sua forma de atuar
diante dos atos golpistas em Brasília realizados no último domingo, 8 de janeiro. Ele chegou a
dizer que errou “redondamente” ao elogiar Moraes em 2017, quando este foi
indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). “Na época da queda do avião em que faleceu o ministro
Teori Zavascki, fui questionado por jornalistas quanto ao que se faria, como
seria preenchida a cadeira, e disse que o presidente Michel Temer tinha um
homem talhado para a cadeira: foi professor universitário, foi do Ministério
Público, foi secretário de Segurança Pública do prefeito era Gilberto Kassab e do
governador Geraldo Alckmin, ministro da Justiça. Vejo que errei redondamente”,
declarou o ex-ministro em entrevista à Rádio Bandeirantes.
Marco
Aurélio argumentou ainda que Moraes “realmente não vem contribuindo para a paz
social”. De acordo com ele, o ministro do Supremo Tribunal Federal errou ao determinar a prisão de
quem estava acampado em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, quando, segundo
o ex-ministro do STF, deveria ter prendido apenas as pessoas que participaram
ativamente das depredações das sedes dos três Poderes. Para ele, esse é “um
passo largo que não se coaduna com Estado Democrático de Direito”. O jurista
criticou também o afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha
(MDB) do cargo. Decisão formou maioria nesta quarta-feira, 11 de janeiro, entre os
magistrados do STF. Mello disse que “se estivesse na bancada do STF eu não
endossaria esse ato de força”. (Atarde).