Por Clóvis Gonçalves
Logo após se emocionar recebendo a faixa presidencial de um
grupo de pessoas representantes do povo brasileiro, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) discursou no alto da rampa do Palácio do Planalto criticando
a desigualdade social no país, a discriminação racial e de gênero e as ações
que pretende tomar para superar esses temas, como políticas de combate à
pobreza e à fome, bem como a criação do Ministério da Igualdade Racial e o
Ministério das Mulheres. “A fome é filha da desigualdade, que é mãe dos grandes
males que atrasam o desenvolvimento do Brasil. A desigualdade apequena este
nosso país de dimensões continentais, ao dividi-lo em partes que não se
reconhecem. Juntos, somos fortes. Divididos, seremos sempre o país do futuro
que nunca chega, e que vive em dívida permanente com o seu povo. Se queremos
construir hoje o nosso futuro, viver num país plenamente desenvolvido para
todos e todas, não pode haver lugar para tanta desigualdade”, apontou o
petista. Com a voz embargada e interrompido pelas lágrimas, o presidente
descreveu a situação da extrema pobreza que voltou a crescer no país nos
últimos anos. “Há muito tempo não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas.
Mães garimpando lixo, em busca do alimento para seus filhos. Famílias inteiras
dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo”. “Fila na porta dos
açougues, em busca de ossos para aliviar a fome. E, ao mesmo tempo, filas de
espera para a compra de jatinhos particulares.
Tamanho abismo social é um obstáculo à construção de uma
sociedade justa e democrática, e de uma economia próspera e moderna”, declarou
aos prantos, salientando que “é inadmissível que os 5% mais ricos detenham a
mesma fatia de renda que os demais 95%”. O presidente, então falou a respeito
da importância do combate à discriminação racial para que haja desenvolvimento
social no país. “Ninguém terá mais ou menos amparo do Estado, ninguém será
obrigado a enfrentar mais obstáculos pela cor de sua pele”. “Foi para combater
a desigualdade e suas sequelas que nós vencemos a eleição. Esta será a grande
marca do nosso governo. Dessa luta fundamental surgirá um país transformado. Um
país de todos, por todos e para todos. Um país generoso e solidário, que não
deixará ninguém para trás”, prometeu. Lula também aproveitou o discurso para
mandar um recado ao mercado de que seu governo não será de “gastança”, mas de
investimentos. “Nos nossos governos, nunca houve nem haverá gastança alguma.
Sempre investimos, e voltaremos a investir, em nosso bem mais precioso: o povo
brasileiro”.