Por Clóvis Gonçalves
Crianças yanomamis com desnutrição grave chegam ao Hospital
da Criança Santo Antônio, em Boa Vista, e precisam de um leito de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e serem
intubadas. Cansadas e sem força para respirar, a falta de comida altera o
organismo desses meninos e meninas desnutridos, muitos deles com poucos meses
ou anos de vida. Os quadros são de diarreia e pneumonia associados à
desnutrição. Cinco leitos da UTI do Hospital da Criança são ocupados por
yanomamis. As crianças da maior terra indígena do Brasil, que vive uma crise
sanitária e de saúde pública, conforme a Folha de São Paulo, estão presentes em
praticamente todos os setores da unidade de saúde, sendo maioria em boa parte
dessas alas. Foi constatado, inclusive o tamanho da gravidade da crise de
desassistência em saúde, com explosão de casos de desnutrição grave e de
doenças evitáveis como verminoses e malária.
Os yanomamis estão em grande número na UTI, em enfermarias onde redes são dispostas ou improvisadas para uma adaptação a seus costumes– e
principalmente na ala de emergência dedicada a casos de infecção respiratória.
Muitas delas não têm as mães como acompanhantes, pois as mulheres também estão
desnutridas e internadas em outros hospitais da rede pública. O hospital é
fundamental para a crise de saúde envolvendo os yanomamis, e vem recebendo cada
vez mais pacientes, na proporção inversa à desassistência em saúde na terra
indígena durante o governo Jair Bolsonaro (PL), segundo a Folha. Desde a
declaração do estado de emergência em saúde pública pelo governo Luiz Inácio
Lula da Silva (PT), no último dia 20 de janeiro, o Santo Antônio passou a acolher ainda
mais pacientes, resgatados nas aldeias. Em 2022, houve 703 internações de crianças
yanomamis, o que significa quase duas por dia. Pela UTI, passaram 65 indígenas,
ou cinco por mês. Vinte e nove crianças yanomamis morreram no Hospital da
Criança em 2022. Somente neste mês, 96 crianças yanomamis foram internadas na
unidade. Quase metade permanece no hospital. (Voz da Bahia)