Por Clóvis Gonçalves
Ficou
para esta terça-feira, 20 de dezembro, o primeiro lançamento de foguete por uma
empresa privada no Brasil. A operação estava prevista para esta última
segunda-feira, (19) no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, mas foi
adiada por causa da previsão de chuva e ventos fortes. A empresa sul-coreana
Innospace lançará, a partir da base brasileira, o foguete Hanbit-TLV. Além de
testar o funcionamento do equipamento, a missão leva ao espaço o Sistema de
Navegação Inercial (Sisnav), desenvolvido por militares brasileiros com apoio
da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Agência Espacial Brasileira
(AEB), vinculadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação. A Finep
apoiou o desenvolvimento do Sisnav com recursos de quase R$ 40 milhões,
destinados à Força Aérea Brasileira (FAB), em projetos executados entre os anos
de 2005 e 2016.
De
acordo com a pasta, o Sisnav é um experimento nacional para a navegação autônoma
de foguetes, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço, da Força Aérea
Brasileira (FAB), dentro do projeto Sistema de Navegação e Controle (Sisnac). A
tecnologia fará parte do Veículo Lançador de Microsatélites (VLM). “Com o lançamento,
serão obtidos dados de voo que avaliam como o sistema se comportou em condições
específicas de temperatura e pressão. Não haverá operação de resgate, pois os
dados de voo serão coletados por telemetria. A carga útil pesa 20 quilos”,
explicou o ministério, em comunicado. Será a primeira oportunidade de avaliar o
comportamento da tecnologia em ambiente real de voo. Todas as peças e
equipamentos do foguete foram trazidos da Coreia do Sul e chegaram à cidade de
Alcântara, no início de dezembro, cerca de 8 toneladas de componentes. “O
sucesso da operação de lançamento vai demonstrar a capacidade nacional para lançamentos
espaciais, gerar ganho de experiência para as equipes e inserção do país no
mercado internacional”, destacou o Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.
ACORDO DE SALVAGUARDAS
TECNOLOGICAS
O
uso do Centro de Lançamento de Alcântara por empresas privadas e a retomada do
Programa Espacial Brasileiro foi possível após a aprovação, pelo Congresso
Nacional, do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados
Unidos. A medida entrou em vigor em dezembro de 2019. (Crédito Correio24Horas).