Por Clóvis Gonçalves
O Papa Francisco defende uma reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), que, para ele, “demostrou seus limites” diante da pandemia e da guerra na Ucrânia. As declarações estão em um novo livro segundo trechos de um novo livro do pontífice, publicados pelo jornal italiano La Stampa neste último domingo (16 de outubro). Intitulado “Peço-vos em nome de Deus. Dez orações para um futuro de esperança”, o livro será publicado na próxima terça-feira (18 de outubro), na Itália. “Quando falamos de paz e segurança em nível mundial, a primeira organização em que pensamos é a ONU e, em particular, seu Conselho de Segurança”, afirma o pontífice argentino em seu novo livro. “A guerra na Ucrânia destacou mais uma vez a necessidade da atual estrutura multilateral de encontrar formas mais ágeis e eficazes de resolver conflitos”, avalia Francisco. “Em tempos de guerra, é fundamental afirmar que precisamos de mais multilateralismo, e um multilateralismo melhor”, acrescenta o Papa.
“O MUNDO NÃO É MAIS O MESMO”
Segundo os trechos publicados pelo “La Stampa” o Papa
acredita que o mundo de hoje não é mais o mesmo” de logo após a Segunda Guerra
Mundial, e as instituições internacionais devem ser “fruto do maior consenso
possível. “A necessidade dessas reformas ficou ainda mais evidente após a
pandemia, quando o atual sistema multilateral demonstrou todos os seus limites.
Com a distribuição de vacinas, tivemos um exemplo claro de que às vezes a lei
do mais forte pesa mais que a solidariedade”, lamenta Francisco. Por isso, o
pontífice pede “reformas orgânicas, para que as organizações internacionais
recuperem sua vocação primordial de servir a família humana”. No novo livro,
Francisco também diz ser defensor da “segurança integral”, que consiste em
garantir todos os direitos econômicos, sociais, alimentares, de saúde -, e
que deve ser a bússola que norteia as decisões das instituições internacionais.
O Vaticano não comentou a reprodução dos trechos do novo livro do papa. (G1).