segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PREFEITA DE PORTO SEGURO CONTRATA EMPRESA INVESTIGADA NA OPERAÇÃO FRATERNOS


Por Clóvis Gonçalves
A prefeita de Porto Seguro, no estado da Bahia, Cláudia Oliveira, acaba de contratar a empresa L. Magda Almeida Borges Minimercado (nome fantasia Betopão) para fornecer merenda escolar pelo valor de R$ 438.223,00, com vigência de 09 de agosto a 12 de dezembro de 2019. O que parece ser uma informação banal ganha ares de reiteração criminosa, uma vez que a empresa Betopão fora alvo de investigação na Operação Fraternos, desencadeada em 06 de abril de 2017, que culminou com o afastamento da gestora do cargo, bem como do seu marido Robério Oliveira, prefeito de Eunápolis, e seu irmão Agnelo Santos, prefeito de Santa Cruz Cabrália.

Segundo informações obtidas pelo Coaf, o proprietário da empresa Beto Pão, Carlos Roberto Borges, fez um depósito inexplicável de R$ 100.000,00 na conta Margarete Marinho Santos, pivô da investigação, juntamente com seu ex-marido Ricardo Luiz Bassalo. Ambos tiveram prisão temporária decretada na operação, pois, segundo documento da Polícia Federal, a investigação foi iniciada após análise de movimentação financeira suspeitas feitas por Margarete.

Os investigadores descobriram diversas transações milionárias feitas na conta dela, por meio de empresas que firmaram contratos com as três prefeituras. O ex-marido de Margarete também é investigado por lavagem de dinheiro, pois apenas uma das 17 empresas envolvida na ciranda da propina, a Mineração Porto Seguro LTDA, estranhamente depositara R$ 5.000.000,00 na conta dele. Além da ex-mulher, Bassalo também usava como laranjas a própria mãe, um irmão e três irmãs para lavar dinheiro do esquema criminoso.

O recente contrato firmado pela prefeita Cláudia Oliveira com a empresa Betopão, envolvida no esquema da Organização Criminosa (Orcrim), demonstra de forma cabal o absoluto desprezo da gestora pelos leis do país e seu destemor em afrontar o trabalho de combate à corrupção realizados pelo Ministério Público Federal, Controladoria Geral da União e Polícia Federal. Procurada por nossa reportagem, a prefeitura de Porto Seguro não quis se manifestar.(AtosNoticias)