Por Clóvis Gonçalves
Um grupo de mães de crianças com microcefalia compareceu na última quarta-feira, 18 de setembro na Defensoria Pública da União, em Feira de Santana, para pleitear uma ação judicial por danos morais, contra a prefeitura municipal de Feira de Santana, o governo do estado da Bahia e o governo federal. O objetivo delas é conseguir uma assistência financeira maior, além de mais apoio psicológico e social.

A dona de casa Érica Macedo Silva, mãe de Artur, de 4 anos, falou sobre essa busca de direitos. “Hoje algumas mães recebem o auxílio BPC e outras não. Então a gente precisa de um suporte financeiro melhor, a exemplo de inclusão social nas escolas, que não têm essa adaptação aqui em Feira de Santana e provavelmente no nordeste todo. A gente precisa de um ganho financeiro melhor, porque um salário mínimo não dá pra nada. Nós precisamos de assistência material, social, moral e psicológica e física também, porque foi um dano físico ao nosso filho. A gente precisa que o nosso filho esteja bem pra gente conseguir sair, comprar comida, pagar uma conta, pois tudo dificulta e a gente fica presa. Nossos filhos não vão ter cura, mas se a gente tiver um ganho financeiro melhor vai ter qualidade de vida pra essas crianças”, afirmou.
Ela afirmou ainda que depois que Artur nasceu ainda demorou um tempo para a secretaria de saúde colher o sangue dela e do garoto. O exame foi feito para comprovar a infecção por zika, mas, segundo ela, até hoje o resultado não saiu. “Mas o que se sabe é que o governo afirma que foi por causa da zika, e muitas mães fizeram o exame, mas não se comprovou”.

Mãe de Davi Henrique, Mayane Souza falou sobre as dificuldades que enfrenta no dia a dia com o filho. Ela relatou ainda que descobrir que o filho tinha microcefalia foi um choque.
“Foi meu segundo filho. Tive o Davi e vim descobrir depois de um mês de nascido no Clériston. Eu tive que deixar minha vida de trabalho, meu filho mais velho com minha mãe, pois tive que correr contra o tempo para descobrir o que era a microcefalia, se existia tratamento e uma cura, mas eu vi que não existia. Existiria um cuidado, amor e carinho que teria que dar a ele e a minha atenção. Então pra mim foi um choque, pois eu não esperava meu filho vir com esse problema, fora que ele ainda tem uma alergia à proteína do leite de vaca (APLV), em que ele toma uma fórmula que pra mim é muito cara.
Nesta quarta-feira, 18 de setembro a gente vê o que a gente passa, só a gente sabe. Ele não anda, não fala, reage brincando, tem baixa visão, afetou muito a parte motora dele, e a gente vive pra ele”, contou. A Defensoria Pública informou através da sua assessoria que vai analisar o pedido das mães e verificar a possibilidade de acionar ou não os três entes federativos. (Acorda Cidade)
