sexta-feira, 23 de agosto de 2019

FUMANTES TÊM 20 VEZES MAIS CHANCES DE DESENVOLVER CÂNCER DE PULMÃO

Por Clóvis Gonçalves
Os fumantes têm 20 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão. No ano passado, foram estimados 31 mil novos casos da doença sendo que 85% estão relacionados ao cigarro. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, a oncologista Aknar Calabrich destaca que os prejuízos causados pelo fumo à saúde são imediatos. “Os danos do cigarro para o organismo começam desde o primeiro consumo por inalação de substâncias nocivas como o peróxido de hidrogênio. Os riscos de neoplasias diversas como pulmão e bexiga, assim com doenças cardiovasculares, vão aumentando de acordo com a carga tabágica e tempo de exposição”, explica a oncologista Aknar Calabrich, que integra a equipe da Clínica AMO – Assistência Multidisciplinar em Oncologia.
A nicotina é uma droga bastante poderosa que pode causar dependência tanto quanto a cocaína ou heroína. Nas primeiras tragadas, o indivíduo pode sentir mal-estar, tontura e náuseas. Como é uma substância rapidamente absorvida e que age no sistema nervoso central, a sensação inicial de prazer é seguida da alteração do humor, gerando a dependência. “Parando de fumar, já no dia seguinte começam a ser detectadas melhoras na frequência cardíaca, pressão e sono. O risco de câncer, por exemplo, diminui a cada ano que a pessoa fica longe do cigarro, ficando bem menor entre oito e 10 anos depois, mas nunca será igual a quem nunca fumou e doenças já instaladas como o enfisema e arteriosclerose (placas de gordura nas artérias) não têm reversão”, pontua a médica.
Os tumores de pulmão podem ser curados principalmente se diagnosticados em estágios precoces. Em determinados casos, além da cirurgia, a radioterapia também permite eliminar a doença. Na ocorrência de metástase, ou seja, acometimento de outros órgãos além do pulmão, o tratamento visa o controle da doença e preservação da qualidade de vida. “Os últimos 10 anos foram revolucionários no entendimento da biologia da doença e desenvolvimento de novas drogas. 

Além da quimioterapia, determinadas medicações orais conseguem agir diretamente no defeito genético do tumor impedindo o crescimento dessas células, são as chamadas terapia alvo”, conta Aknar Calabrich. A oncologista acrescenta que outro grande marco foi a imunoterapia, uma medicação que consegue ativar o sistema imunológico para que ele combata o câncer. Em alguns casos, a sobrevida do paciente tem se mostrado prolongada, inclusive com desaparecimento por completo da doença.