sexta-feira, 7 de junho de 2019

ASSASSINATOS NO BRASIL REPRESENTA MAIS DE 10% DE TODO O MUNDO

Por Clóvis Gonçalves
Brasil, México e Venezuela estão entre os  países com mais homicídios em todo o mundo.  De acordo com o relatório da Darkening Horizons (Horizontes Escuros, em tradução livre), organizado pela ONG Small Arms Survey, em 2017 foram registradas em todo o mundo 589.000 mortes violentas, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Apenas no Brasil, com 65.600 assassinatos em 2017, representa mais de 10% dos assassinatos em todo o mundo. Nesses 3 países onde não há um conflito armado declarado em andamento,a população mais pobre sofre com violência epidêmica. Enquanto Brasil e México lidam já há décadas com o problema do crime organizado ligado ao tráfico de drogas, a Venezuela passa por uma grave crise social com aumento da criminalidade e a ação violenta de grupos paramilitares simpáticos ao Governo de Maduro.

No Brasil o aumento tem sido encabeçado pelos Estados do Norte e Nordeste, regiões que se tornaram a linha de frente do confronto entre as facções. Ainda segundo o estudo, houve uma redução da violência no norte da África com a redução dos embates entre grupos rebeldes, no oeste asiático e na América do Norte. Do total de mortos, apenas 106.000 foram vitimados por guerras e conflitos declarados. A situação já é dramática com a alta dos homicídios no mundo, mas a tendência é de que, caso nada seja feito, ela piore ainda mais. A expectativa é de que em 11 anos, até 2030, alcancemos o número de 660.000 mortes violentas, caso sejam mantidas as mesmas políticas de segurança vigentes em detrimento da adoção de boas práticas, como controle de armas, valorização da vida e investimentos em apuração e resolução de crimes. 

Se este dado é ruim, o relatório vai além e faz uma projeção levando em conta mudanças negativas nas políticas de segurança como, por exemplo, flexibilização do acesso às armas (tema presente no contexto brasileiro) e aumento dos conflitos armados pelo mundo. Nesse caso negativo (mas não impossível) atingiríamos em 2030 assustadores 1,06 milhão de vítimas fatais. O relatório também aponta que houve uma alta no número de mulheres assassinadas: foram 96.000 vítimas fatais do sexo feminino em todo o mundo 6.000 a mais do que em 2016. Apesar da alta, 2017 não foi o ano mais violento registrado. Em 2014 foram mortas 592.000 pessoas. (Com informações de El País)