Por Clóvis Gonçalves
Outra prova de que o PM não só comercializa armas, mas também as monta foi encontrada em sua carteira: foram apreendidos vários cartões de visita com contatos de fornecedores de material metálico, molas e parafusos que seriam usados na montagem das armas. Na última sexta-feira, o Ministério Público do Rio denunciou Soares, os atravessadores Thiago de Oliveira da Silva e Bruno Francisco Castro da Costa e o comprador Welker Iago Cruz Francisco à Justiça pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Em depoimento na distrital, Bruno Francisco Castro da Costa que estava no mesmo carro que o PM dirigia e onde o fuzil foi achado alegou que foi procurado por um amigo chamado Bruno Xará, que disse conhecer um "sargento que montava rifles". O interlocutor pediu para que ele encontrasse um comprador para as armas montadas pelo PM. Bruno Francisco, então, entrou em contato com um amigo que poderia ajudar nas vendas: Thiago de Oliveira da Silva.
O atravessador Thiago, por sua vez, alegou aos policiais que conseguiu um comprador para o rifle: um amigo, de apelido Felipe da Vila do João. A venda ficou acertada para o dia 1º de abril. Segundo afirmaram à polícia, Bruno e Felipe ganhariam R$ 500 pela transação. No dia da venda, o PM e os dois atravessadores se encontraram em Nilópolis, de onde saíram com a arma em direção ao Downtown, onde estavam Welker e Felipe. No shopping, agentes da distrital que investigavam a quadrilha surpreenderam os criminosos. De acordo com o depoimento de Welker, Felipe conseguiu fugir.
De acordo com a polícia, o fuzil seria vendido por R$ 60 mil. A arma era equipada com bipé, luneta e um ferrolho especial acessórios utilizados por atiradores de elite. Soares foi o segundo policial militar preso só em 2019 acusado de montar armas para traficantes. Três semanas antes da prisão no shopping, o sargento aposentado Ronnie Lessa foi preso pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Num endereço ligado ao PM, agentes da Polícia Civil e do MP encontraram 117 fuzis desmontados. Em outro imóvel alvo de um mandado de busca e apreensão, foram encontrados material para a montagem de armas. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) investiga a relação entre Lessa e traficantes de diversas facções do tráfico que atuam no Rio. (Extra)
