Após mudar de ideia e decidir continuar o PT, o senador Paulo Paim (RS) diz que pretende difundir a sua insatisfação com o governo entre os colegas no Congresso Nacional. O objetivo é conseguir apoio entre os “descontentes com o rumo do governo” visando criar uma pressão para que a política econômica mude. O senador, que chegou a dizer que tinha “90% de chance” de sair do PT, voltou atrás após se reunir com dirigentes do partido na última segunda-feira (11). Depois de ser sondado pela Rede e pelo PSB, o senador diz que só aceitou continuar na legenda porque os dirigentes locais concordaram com as críticas dele e decidiram apoiá-las publicamente.
Após o encontro, os integrantes da executiva estadual do PT divulgaram uma nota conjunta na qual afirmam que o ajuste proposto pelo governo federal não corresponde ao programa das eleições presidenciais de 2014, e avisaram que nas próximas eleições os detentores de mandato terão preferência para se candidatarem à reeleição. Desse modo, Paim poderá ser beneficiado em 2018, quando termina seu mandato de senador.
Um dos erros do governo atual que impedem o cumprimento das promessas da eleição, segundo o senador, é não discutir outras saídas para a crise econômica além das que ferem direitos trabalhistas. Paim sugere, como exemplo, o combate à sonegação de impostos. “Por que não debate com a sociedade a tributação de grandes heranças? O governo tem de ter essa visão mais macro e parar de atirar no andar de baixo”, provoca. O senador também lamenta a falta de comunicação com as próprias bases. “Uma das coisas fundamentais pra mim é o dialogo com os movimentos sociais. Não pode anunciar que vai ter reforma da previdência, reforma trabalhista, sem conversar antes. Não se dialoga com a sociedade, com o Parlamento, nem com a base.
Ficamos sabendo pela imprensa", queixa-se. Outra crítica é quanto aos vetos do governo a projetos de interesse da sociedade. “Eu brigo para aprovar um projeto, articulo com gregos e troianos. Depois ela [presidente Dilma] simplesmente veta o projeto, que é da base, do governo. E depois não quer que derrube”, afirma. (VozdaBahia)