Por Clóvis Gonçalves
Ex-diretor da Petrobras preso na Operação Lava-Jato fez delação premiada.
A presidente Dilma
Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, concede entrevista no Palácio da
Alvorada, em Brasília (Foto: Ed Ferreira/Estadão Conteúdo)
A presidente
Dilma Rousseff afirmou neste sábado (18) que houve desvio de recursos públicos da Petrobras. A candidata à
reeleição pelo PT disse ainda que tomará "todas as medidas para ressarcir
tudo e todos".
"Agora
ninguém sabe hoje ainda o que deve ser ressarcido. A chamada delação premiada,
onde tem todos os dados mais importantes, não foi entregue a nós. Eu até pedi,
como vocês sabem. Pedi tanto para o Ministério Público quanto para o ministro
do Supremo [Tribunal Federal], Teori Zavascki. Ambos disseram que ainda estava
sob sigilo. Agora ressarcir, eu farei todo o meu possível para ressarcir o
país. Se houve desvio de dinheiro publico, nós queremos ele de volta. Se houve
[desvio], não. Houve, viu?", declarou Dilma Rousseff.
Questionada
sobre a inclusão pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa do nome do
ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra (morto neste ano) entre políticos que
receberam dinheiro desviado da Petrobras, a presidente Dilma afirmou que não
acha que ninguém no Brasil tenha "primazia da bandeira da ética".
"O
retrospecto do PSDB não lhe dá essa condição. Quem cometeu crime, delito ou
malfeito deve pagar por isso. Ninguém está acima de suspeita no Brasil. Quem
não cumprir princípios éticos com dinheiro publico, devem pagar por isso. É
interessante notar que os vazamentos seletivos acontecem para todos os lados.
Isso não é bom. Não vou comemorar nada. O pau que bate em Chico também bate em
Francisco. Essa é uma lei", afirmou a candidata do PT.
Durante debate
na TV nesta semana, Dilma já havido feito uma pergunta a Aécio sobre a denúncia
de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimento ao
Ministério Público, havia afirmado que deu propina ao ex-presidente do PSDB
para esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a
Petrobras em 2009.
Na resposta, Aécio
disse que, pela primeira vez, a presidente reconhecia denúncias de Paulo
Roberto Costa, que fez acordo de delação premiada e, em troca de prisão
domiciliar, passou a colaborar com a Justiça nas investigações sobre corrupção
na Petrobras. "Se a senhora não tem receio, por que seu partido impediu
que o senhor Vaccari fosse à CPI"?, disse Aécio, referindo-se ao
tesoureiro do PT, que, segundo depoimentos de Costa, também se beneficiou de
propinas de contratos.
Dilma Rousseff
declarou que, daqui para frente, a não ser que seja informada pelo Ministério
Público ou pelo juiz, não tem medida nenhuma a tomar. "Não sei se vocês
sabem, mas não é o presidente quem processa. Quem processa são os órgãos, como
o Ministério Público, e quem julga é o juiz", afirmou.
Comunicado
da Petrobras
Na sexta (17), a Petrobras informou que criou comissões internas para verificar "averiguar indícios ou fatos contra a empresa" relacionados às denúncias relacionadas à operação Lava Jato, e que está estudando medidas jurícidas para ser ressarcida pelos danos sofridos.
Na sexta (17), a Petrobras informou que criou comissões internas para verificar "averiguar indícios ou fatos contra a empresa" relacionados às denúncias relacionadas à operação Lava Jato, e que está estudando medidas jurícidas para ser ressarcida pelos danos sofridos.
As afirmações
estão em um comunicado enviado pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), em resposta a um pedido de esclarecimento feito pela autarquia por conta
das notícias publicadas nos últimos dias sobre o assunto. É procedimento comum
à CVM solicitar esclarecimentos sobre notícias que possam afetar as empresas que
têm ações negociadas em bolsas de valores.
No comunicado,
a empresa apontou que é reconhecida oficialmente pelas autoridades como vítima
nesse processo de apuração, e vem prestando esclarecimentos para Polícia
Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário.
Em nota enviada
à GloboNews, a Comissão de Valores Mobiliários informou que desde 1988 possui
acordo de mútua cooperação e troca de informações com a US SEC, que pode ser
acessado por meio do site da autarquia. "A CVM e a SEC têm uma relação muito
próxima e trocam informações de maneira bastante intensa e presente, seja por
meio de consultas informais (por e-mail ou telefone), seja por meio de
solicitações formais, sempre que se faz necessário. Por fim, ressaltamos que a
CVM acompanha e analisa as informações e movimentações envolvendo as companhias
abertas, tomando as medidas cabíveis, quando necessário. A autarquia não
comenta casos específicos."
Paulo Roberto Costa
O ex-diretor Paulo Roberto Costa é um dos acusados na operação Lava Jato, que foi deflagrada no dia 17 de março deste ano em vários estados brasileiros e no Distrito Federal.
Paulo Roberto Costa
O ex-diretor Paulo Roberto Costa é um dos acusados na operação Lava Jato, que foi deflagrada no dia 17 de março deste ano em vários estados brasileiros e no Distrito Federal.
A operação
investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que pode ter
movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Conforme a PF, a organização criminosa era
liderada pelo doleiro Alberto Youssef.
Pesquisa
Pesquisa Datafolha divulgada na quarta (15) mostra que 80% dos eleitores brasileiros tomaram conhecimento das denúncias de corrupção na Petrobras. Ainda de acordo com o instituto, 66% acreditam que as denúncias envolvem pagamento de proprina a partidos políticos.
Pesquisa Datafolha divulgada na quarta (15) mostra que 80% dos eleitores brasileiros tomaram conhecimento das denúncias de corrupção na Petrobras. Ainda de acordo com o instituto, 66% acreditam que as denúncias envolvem pagamento de proprina a partidos políticos.
O Datafolha
ouviu 9.081 eleitores em 366 municípios nos dias 14 e 15 de outubro. O nível de
confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos,
em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos
prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o
número BR-01098/2014.
Críticas
a Aécio
Durante a entrevista coletiva deste sábado, a presidente Dilma também disse que o candidato tucano, Aécio Neves, foi desrespeitoso com ela e com a candidata do PSOL, Luciana Genro, ao chamá-las de "levianas".
Durante a entrevista coletiva deste sábado, a presidente Dilma também disse que o candidato tucano, Aécio Neves, foi desrespeitoso com ela e com a candidata do PSOL, Luciana Genro, ao chamá-las de "levianas".
"Quando
começa a discussão, o candidato adversário não gosta muito. Aí parte para
algumas atitudes um tanto quanto desrespeitosas. Foram desrespeitosas comigo,
foram desrespeitosas com a Luciana Genro. Ele pode inclusive querer processar,
mas quem devia processá-lo somos nós. A nós duas ele chamou de leviana, coisa
que não se faz. Não é uma fala correta para mulheres. Eu lamento muito porque
eu tenho o que discutir. Não tenho só propostas genéricas que coloca no papel.
Porque o papel aceita tudo", declarou Dilma.
Sobre as
recentes decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dilma disse que não
houve intervenção do tribunal em sua campanha, apesar da proibição de ataques
ao candidato adversário durante o horário eleitoral.
"Gostaria
de saber onde e quando [houve intervenção do TSE na campanha do PT]?. Acho que
isso ainda será julgado. Acredito que o que é baixo nível da campanha é algo
que deve ser completamente superado. Acontece que nós temos proposta. Estou
dizendo concretamente essa da indústria naval. Discuto indústria naval, discuto
Pronatec, discuto o Minha Casa, Minha Vida. E um conjunto de politicas. O que
acontece com o candidato adversário, quando é da área social, ou ele diz que é
ele quem fez ou foi o governo do Fernando Henrique quem fez. E ele gosta de
falar do governo Fernando Henrique. Não prova que foi o Fernando Henrique quem
fez, porque a população sabe, a população recebia, ou não recebia", disse
ela.
Política nacional
Dilma Rousseff também aproveitou para defender a política de conteúdo local, pelo qual um produto nacional é comprado pelo governo, ou empresas estatais, mesmo sendo mais caro que o mesmo produto importado, com o objetivo de estimular o emprego no país. Segundo ela, o candidato tucano Aécio Neves declarou que vai investir no polo naval do país, mas também afirmou que vai reduzir a política de conteúdo local.
Dilma Rousseff também aproveitou para defender a política de conteúdo local, pelo qual um produto nacional é comprado pelo governo, ou empresas estatais, mesmo sendo mais caro que o mesmo produto importado, com o objetivo de estimular o emprego no país. Segundo ela, o candidato tucano Aécio Neves declarou que vai investir no polo naval do país, mas também afirmou que vai reduzir a política de conteúdo local.
"Conteúdo
local é produzir aqui o que deve e pode ser produzido. Representou grande
ganho. Passamos de 7 mil para 81 mil trabalhadores, caminhamos para 100 mil no
ano que vem. Conversar que vai investir em um polo naval sem ser a favor da
politica de conteúdo local mostra imensa inconsistência das falas que estão aí.
É impossível isso. No plano de negócios da Petrobras, de 2014 a 2018, estão
previstos 38 plataformas de produção, 88 navios petroleiros e de transportes e
146 barcos de apoio, um total de US$ 100 bilhões. Isso era desviado para
Cingapura, Coreia e japão. Impedimos política de transferência de empregos para
o resto do mundo. Criamos uma imensa indústria. Estaríamos perdendo uma fonte
fundamental de riqueza", disse Dilma Rousseff.(G1)
