Por Clóvis Gonçalves
Mais de 150 detentos assinaram documento entregue
ao Ministério Público.Eles reclamam da suspensão de aulas e da falta de atendimento médico
Mais de 150
detentos do Presídio de Caldas Novas, no
sul goiano, fizeram um abaixo-assinado para denunciar que estão sendo
torturados dentro da unidade. Familiares dos presos entregaram na última
segunda-feira (2) o documento ao Ministério Público Estadual (MP-GO), que vai
apurar o caso.
“Estão
invadindo o presídio, estão torturando os presos. Batendo com spray de pimenta,
soltando bombas, teve tiro de doze lá dentro. Teve o dia da visita das crianças
lá, que soltaram bomba com as crianças lá dentro”, disse o pai de um detento,
que não quis se identificar. A Secretaria
Estadual de Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus), responsável pelo
presídio, informou que ainda não foi notificada sobre esse abaixo-assinado, mas
que está disponível para apurar as denúncias.
Segundo os
parentes, os detentos também reclamam da suspensão de alguns serviços, como os
cursos de artesanato e da visita de religiosos que iam ao presídio. O promotor
de Justiça que recebeu a denúncia, Giordane Alves, explica que esses benefícios
foram suspensos por questões de segurança, pois houve tentativa de fuga na sala
de aula. “Não havia segurança suficiente para a manutenção desses presos
durante as salas de aula e a segurança para os próprios professores”, disse o
promotor.
Os presos ainda
denunciam que falta atendimento médico aos internos. “Tem gente doente lá
dentro, comprovado que está com meningite e eles deixaram pra levar no último
caso. Tem detentas com hepatite C”, afirma a mãe de um dos presos.
A Sapejus
informou que todas as quarta-feiras os presos recebem assistência médica. Além
disso, diariamente, os reeducandos contam com um técnico em enfermagem e um
psicólogo. Os presos com suspeita de doenças contagiosas passaram por exames,
mas os resultados ainda não ficaram prontos.
O promotor
ressaltou que o número de revistas aumentou para combater o uso de produtos
proibidos no local, pois, nas últimas duas operações, foram apreendidos quase
80 celulares, além de drogas e facas. Mesmo assim, disse que vai investigar as
denúncias. “Se houve abuso em qualquer destas atitudes, tanto o Ministério Público
quanto o Judiciário está atento a isso e vamos observar, fiscalizar e apurar os
fatos denunciados”. (informações G1 e Foto:
Reprodução/ TV Anhanguera)
