Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados discutiu hoje (28)
a situação da atleta Laís Souza, que ficou paraplégica após sofrer acidente na
Rússia.
Audiência
pública sobre o apoio que será oferecido à atleta Laís Souza
Debatedores
lamentaram falta de legislação para amparar atletas que sofrem acidentes
graves.
Participantes
da audiência pública realizada nesta quarta-feira (28), na Comissão do Esporte
da Câmara dos Deputados, emocionaram-se ao discutir o acidente sofrido pela
atleta brasileira Laís Souza. Em janeiro deste ano, 11 dias antes do início das
Olimpíadas de Inverno de Sochi, na Rússia, Laís acidentou-se gravemente durante
um treinamento de esqui que a deixou tetraplégica.
Os
debatedores lamentaram a inexistência de uma legislação específica que ampare
atletas como Laís. Segundo a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), a grande maioria
desses profissionais dedica-se exclusivamente ao esporte e quando terminam a
carreira ficam desamparados.
Gabrilli
comentou que a mudança na legislação trará uma segurança aos atletas
profissionais e não-profissionais, principalmente, com relação a benefícios da
Seguridade Social e da Previdência. “Eles [atletas] acabam ficando de fora e
não tendo vínculo com a Previdência, por não serem contribuintes. E isso tem
que mudar", disse.
Apoio - O
Comitê Olímpico Brasileiro (COB) vem buscando apoio em vários estados para
ajudar na campanha de financiamento dos gastos de Laís, além dos incentivos já
repassados pela entidade. O representante do COB, Marcos Vinícius Freire,
afirma que a mudança na legislação é o primeiro passo para amparar os atletas
brasileiros.
"Apesar
de ser um momento ruim, é um momento que a gente consegue mexer em leis. É isso
que estamos esperando”, disse. Freire lamentou o fato do assunto está sendo
discutido há mais de 120 dias desde o acidente e "ainda não termos
qualquer solução".
Segundo
ele, o COB está ajudando a atleta divulgando uma campanha que recebe doações
para financiar os altos custos de sua recuperação. "A campanha foi lançada
em março de 2014 e em 48 horas recebemos uma cadeira especial que custa cerca
de 52 mil dólares. Recebemos também um tablet, com o qual é possível manter uma
comunicação através dos movimentos da boca. Conseguimos arrecadar até ontem,
cerca de 300 mil reais", disse.
Desconhecimento - O
presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), Stefano
Arnhold, reconhece que faltam informações que auxiliem os atletas em casos de
acidentes, e que somente um discursão ampla ajudará no aprimoramento da
legislação.
"O
que é muito importante é que eles estejam segurados. Nem todos os esportistas,
acredito, estão adequadamente segurados. Talvez, nem todos eles conheçam os
detalhes de suas apólices de seguros. E essa discussão é muito pertinente, ela
é muito oportuna pra que a gente possa discutir que tipo de seguro os atletas
devem ter", afirmou Arnhold.
O
vice-presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Mizael Conrado, sugeriu a
criação de um fundo, controlado pelo Ministério da Saúde, para auxiliar os
atletas em casos de acidente, além de um seguro de vida obrigatório e de ampla
cobertura.
Ao
final da audiência, a deputada Mara Gabrilli colheu assinaturas dos parlamentares
presentes e protocolou o Projeto de Lei 7622/14, que determina a contratação de
um seguro de vida aos atletas olímpicos e paraolímpicos. O projeto também prevê
a assistência ao atleta não profissional e aos que participam de competições
nacionais e internacionais.
O
texto vai tramitar pelas comissões da Câmara. (Ag.Câmara)
