Cientistas analisam amostras de sangue em laboratório.
Vários
novos tratamentos contra cânceres avançados de pulmão, sangue, tireoide e
ovário resistentes a outras terapias deram resultados positivos, segundo testes
clínicos divulgados neste sábado (31/5) e que confirmam os avanços feitos na
luta contra a doença.
A
Imbruvica (Ibrutinib), dos laboratórios americanos Pharmacyclics e Johnson
& Johnson, conseguiu prolongar a vida de pessoas afetadas por leucemia
linfoide crônica, que não respondiam à quimioterapia combinada com um
anticorpo, o tratamento padrão para este câncer do sangue, o mais comum em
adultos.
Este
agente estimula a autodestruição de células cancerosas e bloqueia sua
proliferação. A agência que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos
(FDA) o aprovou no fim de 2013 para tratar linfomas resistentes e, em fevereiro
de 2014, para a leucemia.
É
a primeira vez que um anticancerígeno ingerido por via oral permite um aumento
claro da sobrevivência destes pacientes, reforçaram os pesquisadores, que
apresentaram este estudo clínico na conferência anual da American Society of
Clinical Oncology (ASCO), o maior colóquio sobre o câncer, reunido este fim de
semana em Chicago (Illinois, norte dos Estados Unidos).
"Com
o Ibrutinib, cerca de 80% dos pacientes ainda estavam em remissão um ano
depois, duas vezes mais do que se pode esperar de uma terapia padrão",
comentou John Byrd, professor de medicina na Universidade de Ohio, que fez este
estudo com 391 pacientes com idade média de 67 anos.
"Estes
dados favorecem o uso deste medicamento como primeiro tratamento para estes
doentes", avaliou.
Outros
tratamentos permitiram atrasar em um ano e meio o avanço de tipos agressivos de
câncer na tireoide.
O
Lenvatinib, um agente desenvolvido pelos laboratórios SFJ Pharmaceuticals, dos
Estados Unidos, e Eisai, do Japão, também levou à redução do tumor em cerca de
dois terços dos doentes.
"Confiamos
que, com estes resultados, o Lenvatinib se tornará a primeira opção para tratar
este tipo de câncer de tireoide", resistente ao iodo radioativo, eficaz na
grande maioria dos casos, disse Martin Schumberger, oncologista da universidade
francesa Paris-Sud, que chefiou o teste clínico de fase 3 em 392 pacientes.
Um
terceiro teste clínico, também apresentado na conferência da ASCO, esteve
relacionado com o Ramucirumab (Cyramza), um antiangiogênico do laboratório
americano Eli Lilly que bloqueia a formação de vasos sanguíneos nos tumores.
Aprovado
em fevereiro de 2014 pela FDA para o tratamento do câncer agressivo de esôfago,
este medicamento permitiu prolongar a vida de pacientes com câncer muito
avançado de pulmão, segundo teste clínico divulgado neste sábado.
Este
resultado modesto foi considerado, de qualquer forma, significativo pelos
oncologistas, por ser "o primeiro tratamento que, em dez anos, permite
melhorar a evolução deste câncer com um tratamento alternativo à
quimioterapia", explicou Maurice Pérol, diretor do serviço de oncologia do
tórax no centro contra o câncer da cidade francesa de Lyon e principal autor
deste estudo.
Finalmente,
um teste clínico com dois agentes experimentais tomados de forma combinada, o
Olaparib e o Cediranib, do laboratório britânico AstraZeneca, permitiu
duplicar, a 17,7 meses, a sobrevivência de mulheres vítimas de um câncer
agressivo de ovário em relação às pacientes não tratadas com Olaparib. Trata-se
do primeiro inibidor da enzima PARP que permite o reparo do DNA das células
cancerosas.
O
Cediranib, por sua vez, bloqueia a formação de vasos sanguíneos no tumor e o crescimento
de células cancerosas.
Dispõe-se atualmente de muitas famílias de
moléculas que agem sobre distintos objetivos e que permitem bloquear a
proliferação de células cancerosas. Nenhuma dessas moléculas foram aprovadas
pela FDA.
A
quimioterapia tradicional, ao contrário, bloqueia unicamente a multiplicação
destas células mas tem maiores efeitos colaterais.
"Com
o desenvolvimento alcançado pela medicina genômica estes últimos anos se tornou
possível enfrentar cânceres resistentes aos tratamentos padrão", explicou
o oncologista Gregory Masters, do Helen Graham Câncer Center de Newark
(Delaware, leste dos Estados Unidos).(AFP)
