terça-feira, 23 de julho de 2013

ZEZÉU  RIBEIRO FALA SOBRE O PROJETO DE LEI DE PROTEÇÃO AOS MESTRES DO SAMBA DE RODAS

Clóvis Gonçalves
Repórter da Rádio Irará FM
23/7/2013


Deputado Federal Zezéu Ribeiro-PT
Neste sábado (20), o Deputado Federal Zezéu Ribeiro-PT esteve no município de Irará participando da primeira audiência pública para instituir o dia nocional do samba de rodas. O evento foi realizado no salão da Sociedade Litéro Musical 25 de Dezembro. O Projeto de Lei para a proteção dos mestres do samba de rodas é de autoria do parlamentar. Em entrevista ao repórter Clóvis Gonçalves, o deputado Zezeu Ribeiro falou sobre este projeto.

Clóvis Gonçalves – Deputado, o que é o projeto que institui o dia nacional do samba de rodas?

Zezéu – Nós estamos aqui com um projeto que visa estabelecer a data nacional do samba de rodas, e transformar o que era originalmente e conceitualmente conhecido como samba de rodas do recôncavo para o samba de rodas brasileiro. Temos um levantamento muito grande sobre esse tema e sabemos que essa foi uma reivindicação dos sambadores e sambadoras: que a gente tenha um dia que seja a referência de uma discussão nacional. O dia 25 de julho foi o dia do reconhecimento desse patrimônio.

Clóvis Gonçalves – A revolução tecnológica é muito forte, ela pode ser benéfica para o samba?

Zezéu Ribeiro – Sim, na medida que se usa o instrumental disso para o registro, atuação e divulgação do samba de rodas.

Clóvis Gonçalves – Então temos que saber trabalhar a pluralidade e adversidade das nossas manifestações?

Zezéu Ribeiro – Sim, considerando que o samba de rodas é um bem de raiz e de formação da nossa cultura e que é ele que gera o samba que agente tem hoje. Ele é o meio de expressão, de parte significativa de nosso povo, e representa muito da questão da cultura negra com a cultura portuguesa. É o ritmo negro com o instrumento:  a viola, o pandeiro que são de origem portuguesa. O samba de rodas é de língua portuguesa.

Clóvis Gonçalves – É uma manifestação com uma linguagem africana?

Zezéu Ribeiro – Essa pluralidade e adversidade é que dá uma singularidade enorme ao samba de rodas, com suas diversas manifestações que ocorrem em cada local e em cada ponto. Por isso nós estamos preocupados em fazer o registro geográfico do samba de rodas, que é uma outra medida que estamos discutindo com o IPHAN.

Clóvis Gonçalves – E em relação ao Projeto de Lei para proteger os mestres do samba de rodas?

Zezéu Ribeiro – Esse projeto de cultura popular do saberes e do fazeres, é um projeto de lei de origem do deputado Edson Santos (PT/ RJ); tem um outro projeto da Deputada Jandira Fegale (PCdoB/RJ) e nós estamos fazendo uma discussão sobre esta questão, no sentido de afirmar, valorizar, proteger os mestres, e incorporá-los, em um processo de respeito, inclusive de remuneração sobre o trabalho que eles realizam, a fim de propiciar a preservação deste trabalho, encerrou Zezéu Ribeiro.