ZEZÉU RIBEIRO FALA SOBRE O PROJETO DE LEI DE PROTEÇÃO AOS MESTRES DO SAMBA DE RODAS
Clóvis
Gonçalves
Repórter da Rádio Irará
FM
23/7/2013
| Deputado Federal Zezéu Ribeiro-PT |
Clóvis
Gonçalves – Deputado, o que é o
projeto que institui o dia nacional
do samba de rodas?
Zezéu
– Nós
estamos aqui com um projeto que visa estabelecer a data nacional do samba de
rodas, e transformar o que era originalmente e conceitualmente conhecido como samba
de rodas do recôncavo para o samba de rodas brasileiro. Temos um levantamento
muito grande sobre esse tema e sabemos que essa foi uma reivindicação dos
sambadores e sambadoras: que a gente tenha um dia que seja a referência de uma
discussão nacional. O dia 25 de julho foi o dia do reconhecimento desse
patrimônio.
Clóvis
Gonçalves – A revolução tecnológica
é muito forte, ela pode ser benéfica para o samba?
Zezéu
Ribeiro – Sim, na medida que se usa o instrumental disso
para o registro, atuação e divulgação do samba de rodas.
Clóvis
Gonçalves – Então temos que saber
trabalhar a pluralidade e adversidade das nossas manifestações?
Zezéu
Ribeiro – Sim, considerando que o samba de rodas é um bem de raiz e de formação
da nossa cultura e que é ele que gera o samba que agente tem hoje. Ele é o meio
de expressão, de parte significativa de nosso povo, e representa muito da
questão da cultura negra com a cultura portuguesa. É o ritmo negro com o
instrumento: a viola, o pandeiro que são
de origem portuguesa. O samba de rodas é de língua portuguesa.
Clóvis
Gonçalves – É uma manifestação com
uma linguagem africana?
Zezéu
Ribeiro – Essa pluralidade e
adversidade é que dá uma singularidade enorme ao samba de rodas, com suas
diversas manifestações que ocorrem em cada local e em cada ponto. Por isso nós
estamos preocupados em fazer o registro geográfico do samba de rodas, que é uma
outra medida que estamos discutindo com o IPHAN.
Clóvis
Gonçalves – E em relação ao Projeto
de Lei para proteger os mestres do samba de rodas?
Zezéu
Ribeiro – Esse projeto de cultura
popular do saberes e do fazeres, é um projeto de lei de origem do deputado
Edson Santos (PT/ RJ); tem um outro projeto da Deputada Jandira Fegale
(PCdoB/RJ) e nós estamos fazendo uma discussão sobre esta questão, no sentido
de afirmar, valorizar, proteger os mestres, e incorporá-los, em um processo de
respeito, inclusive de remuneração sobre o trabalho que eles realizam, a fim de
propiciar a preservação deste trabalho, encerrou Zezéu Ribeiro.