sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


               Ana Amélia defende internação forçada de dependente de droga


Por: Clovis Gonçalves – Rádio Irará FM

24/01/2013

Iniciativas de internação compulsória dos dependentes de drogas, abordados na rua, previstas no Rio de Janeiro e em São Paulo, reacenderam o debate sobre a questão. Para Ana Amélia (PP-RS), “esse é o caminho”, desde que se observem certos critérios.

Integrante de entidade filantrópica socorre dependente de crack em São Paulo: internação compulsória cria polêmica.

Segundo ela, para ser internado contra a vontade, o paciente deve representar risco para si próprio e para terceiros. Além disso, ressalta, são necessárias avaliação médica e autorização judicial.

O estado de São Paulo iniciou na segunda-feira, na região da capital conhecida como cracolândia, um programa que prevê a internação compulsória de dependentes químicos. A ação tem a participação de profissionais da saúde, do Judiciário, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

— O doente está na rua, sem tratamento, sem dignidade. Não é uma forma socialmente justa de tratar as pessoas — comenta a senadora, lembrando que o tratamento doméstico também não é fácil e elogiando o trabalho realizado pelas comunidades terapêuticas.

Ana Amélia é relatora do PLS 111/10, do ex-senador Demóstenes Torres, que propõe a internação involuntária. Ao dar parecer favorável à matéria, no ano passado, ela retirou do texto original a proposta de pena privativa de liberdade dos usuários e, por sugestão de psiquiatras, retirou a previsão de multa, para não penalizar duplamente a família.

A senadora diz que pode apresentar um substitutivo para “tentar salvar” o projeto, pelo qual afirma ter trabalhado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Para tanto, informa que está dialogando com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, do Ministério da Justiça.
Diálogo.

Para Ana Amélia, é indispensável dialogar e buscar consenso em relação ao assunto.
— É preciso deixar de ser radical. É preciso encontrar um meio termo — afirma.
Psiquiatra e ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PT-PE) fez objeções ao projeto em tramitação na CAS. Para ele, o problema é de saúde, e não de segurança.
O parlamentar avalia que a Lei da Reforma Psiquiátrica, que prevê a possibilidade tanto da internação voluntária quanto da compulsória, é abrangente e já atende os dependentes químicos.
— Muito mais importante que punir com cadeia, multa ou internação compulsória, é preciso garantir que os dependentes sejam atendidos, acolhidos e cuidados — disse.
Humberto defendeu o programa do governo federal de combate às drogas, que já contemplaria todas as questões relacionadas ao tema.

Desde 2011, a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio, em operação conjunta com os órgãos de segurança, retira os usuários das ruas e realiza o acolhimento. Eles recebem tratamento especializado para deixar o vício. Até o momento foram acolhidos 5.141 dependentes químicos.

Em São Paulo, foi intensificada a Operação Integrada Centro Legal, para combater o tráfico e tratar os usuários de crack. A partir de agora, se for constatado que o dependente não tem condições de saúde e se negar a receber tratamento, promotores podem pedir a internação imediata e juízes podem ordená-la. (Fonte Jornal do Senado)