7ª EDIÇÃO DA SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA DA ESCOLA SÃO JUDAS TADEU
Por:
Clóvis Gonçalves - Rádio Irará FM
14/11/12
Jessica de Oliveira, aluna da 8ª série do turno matutino.
Começou nesta quarta-feira
(14) ás 09h00 na Escola Municipal São Judas Tadeu em Irará, a Semana da Consciência Negra com um ciclo de palestras
para todos os alunos do ensino fundamental e alunos do EJA.
O tema escolhido foi Saia
com o seu Racismo que eu quero passar com a minha Cor e vários sub temas: Quem
Foi Zumbi dos Palmares? Qual a face negra da mídia? Os quilombos no século XXI,
como estão estas comunidades?
A palestra teve como convidados, o padre João
Eudes da paróquia do município de Conceição do Jacuípe, graduado em teologia
pela Universidade Católica do Salvador, Bacharelado em teologia pela
universidade de Fortaleza com o "tema a importância das culturas negras na
construção da igualdade brasileira", Lívia Santos Nery pesquisadora, integrante da
juventude e educação, graduada em pedagogia pela UEFS, Wadson de Oliveira pedagogo,
educador, coordenador do Centro Educacional Senhora Santana do Viveiros em
Feira de Santana e militantes do grupo Olhares Negros há quatro anos e Jaci Leal, pesquisadora
em práticas de letramento em comunidades quilombola, graduada em história,
língua portuguesa e especializada em educação de jovens e adultos pelo
IFI-Instituto Federal de Tecnologia e
Ciências do campus de Catu.
No dia 19 de novembro
ás 19 horas, acontecerá o 7º concurso da Beleza Negra 2012 e no dia 20 ás 08:00h, será realizada uma passeata nas ruas centrais da cidade.
Após a palestra com o
subtema A Importância das culturas negras na construção da igualdade brasileira,
o palestrante Padre João Eudes conversou com o apresentador do programa Irará
Notícias, que vai ao ar de segunda a sextas feira ás 06:30h da manha. Ele começou a
entrevista agradecendo a Deus, depois disse que nos dias atuais as questões negras estão
sendo trabalhadas de modo a valorizar a cultura e a raça negra no Brasil, nós
temos a questão da legislação do nosso país obrigando as escolas tratarem da
cultura negra, da cultura afro, nas escolas de 1º e 2º graus e até mesmo no nível superior, acrescentando que esta questão deve ser trabalhada de modo transversal
procurando eliminar o preconceito racial que ainda existe no Brasil.
Outra contribuição
importante segundo o entrevistado, são as cotas raciais, pois a sociedade brasileira tem uma dívida para com o
negro. Foram eles que trabalharam aqui no Brasil como escravos, e quando houve a
abolição da escravatura eles não ganharam direito algum, pelo contrario foram
jogados na sociedade sem nenhuma garantia e sem nenhuma indenização, por conta
disso foram habitar em cortiço e depois nas favelas em condição sob humana, isso gerou sérias conseqüências. A falta de acesso a educação e a marginalidade são alguns dos exemplos a serem citados. Tudo isso
são coisas que se atribui aos negros, mas, eles não são culpados, toda a
situação de desigualdade no nosso país foi produzida pela sociedade, e as cotas são uma forma de
ressarcir essa dívida.
Por ser um padre
negro, cabelo rastafári e usar barba, a principio as pessoas estranham um
pouco meu modo de ser, o modo de me vestir e o modo de usar o meu cabelo, mas eu não me sinto descriminado dentro da igreja. As coisas estão
melhorando, eu sou muito otimista, afirmou.
