Presidência gasta R$ 67 mil com bombas de piscina no
Palácio da Alvorada
Dyelle
Menezes e Filipe Marques
Do Contas
Abertas
O aquecimento de piscina no Palácio da Alvorada está
garantido. A Presidência da República reservou R$ 67 mil para a compra de
quatro bombas de aquecimento para piscina. A piscina do Alvorada possui
dimensões quase olímpicas (50 m de comprimento e 18 m de largura), foi
construída no jardim interno do palácio e é revestida de azulejos azul
“brenand”.
O calor intenso que assola a capital federal nessa
época do ano também não será problema para a presidente Dilma Rousseff. A
Secretaria de Administração da Presidência da República reservou R$ 237,5 mil
para a manutenção do sistema central de ar condicionado. O valor inclui os
serviços de operação, manutenção, assistência técnica e higienização das
instalações e equipamentos. O fornecimento de mão de obra, peças, ferramentas,
equipamentos e materiais também estão inclusos.
O vice-presidente, Michel Temer, também tem o seu
conforto garantido. O Gabinete da Vice-Presidência gastou R$ 17 mil em sofás e
poltronas. Foram comprados dois sofás de quatro lugares revestidos em couro
natural de primeira qualidade, com estrutura de madeira maciça, espuma de
primeira qualidade e alta densidade. Esses sofás de primeira linha custaram aos
cofres públicos R$ 8,5 mil. Já as três poltronas adquiridas, também revestidas
em couro natural e com espuma de primeira qualidade, saíram por R$ 2,8 mil
cada.
Já o Senado Federal preocupou-se em garantir que o
café dos senadores não amargue. Para isso, comprou sete mil quilos de açúcar
refinado por R$ 12,4 mil. A Casa também se preocupou com o conforto de seus
servidores ao adquirir uma perfuradora de papel para espiral por R$ 15,8 mil. O
aparelho possui a capacidade de perfurar 50 folhas de uma única vez.
Além disso, o Senado comprou 15 armários de aço com
fechadura, duas portas, acabamento superficial e pintura lisa de cor cinza
claro. No total, os armários de quase dois metros de altura saíram por R$ 6,9
mil - R$ 459,33 cada.
Ainda no Legislativo, o Tribunal de Contas da União
(TCU) adquiriu 50 caixas em tamanho personalizado (32,5 cm x 23,5 cm x 3,5 cm
de altura), com aba para abertura e bolso para DVD. As caixas personalizadas,
produzidas em papel panamá 1000G e revestidas em papel especial para caixas,
custaram R$ 1,5 mil aos cofres públicos.
Por sua vez, o Superior Tribunal de Justiça (STJ)
resolveu não colaborar com o meio-ambiente e os cofres públicos: comprou nada
menos do que seis mil sacos de copo plástico descartável (cada saco conta com
100 unidades) por R$ 4,9 mil.
As compras do STJ não pararam por aí. A Corte reservou
ainda R$ 78,4 mil para a compra de 80 mil em etiquetas de radiofrequência. Os
acessórios são pequenos e podem ser colocados em pessoas, animais,
equipamentos, embalagens ou produtos. As etiquetas contêm chips de silício e
antenas que permitem responder aos sinais de rádio enviados por uma base
transmissora.
Outros R$ 2,9 mil devem ser destinados aos veículos
oficiais do Tribunal. Foram adquiridas 55 “boinas de politriz” (utilizada para
limpeza e polimento de metais), confeccionadas em lã de carneiro, para polimento
de automóveis (R$ 1,3 mil) e limpa alumínio concentrado, indicado para limpeza
de rodas, frisos e acabamentos de veículos (R$ 1,6 mil).
Confira aqui as notas de empenho
*Vale ressaltar que, a princípio, não existe nenhuma
ilegalidade nem irregularidade neste tipo de gasto feito pela União e que o
eventual cancelamento de tais empenhos certamente não ajudaria, por exemplo, na
manutenção do superávit do governo ou em uma redução significativa de despesas.
A intenção de publicar essas aquisições é popularizar a discussão em torno dos
gastos públicos junto ao cidadão comum, no intuito de aumentar a transparência
e o controle social, além de mostrar que a Administração Pública também possui,
além de contas complexas, despesas curiosas.