Por SBT News
Edvanir Paiva, presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal | Reprodução/SBT News
O
presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal (ADPF),
Edvandir Paiva, afirmou, em entrevista exclusiva ao Sala de Imprensa, que a
categoria está insatisfeita com o governo, em meio a críticas do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva(PT) contra delegados e falta de autonomia na
carreira. Paiva disse ainda que a proximidade do diretor geral da Polícia Federal, Andrei
Rodrigues, com o presidente da República coloca a credibilidade da Polícia Federal
em risco. “Neste momento, eu não tenho
reclamações de que o superintendente A, B ou C está sofrendo pressões, mas é
possível que haja. Me incomoda o diretor falar que o governo do presidente Lula
dá autonomia à Polícia Federal. Isso me incomoda porque não deveria ser assim”,
disse Paiva em defesa de lei que estabeleça autonomia da carreira.
“Os colegas tem respeito pelo doutor Andrei. Entende que ele não é um ‘alienígena’ que veio de fora para administrar a Polícia Federal. Então a capacidade técnica do Dr. Andrei não é questionada. O contato com o presidente Lula é uma faca de dois gumes, tanto pode trazer recursos e capacidade para Polícia Federal, como trás interpretação de que estamos muito próximos do poder político. Então, coloca a credibilidade da instituição em risco”, ressaltou.
Paiva observou que
houve interferência na Polícia Federal na gestão Bolsonaro e que a categoria quer evitar que
a situação se repita. “Vamos bater nessa tecla muitas vezes porque essa me
parece a mesma situação que nós falamos sobre autonomia no passado. Ninguém nos
ouviu e nós tivemos intervenção uma atrás da outra na Polícia Federal. Agora
nós estamos dizendo, se não for feito nada nós teremos um problema de retenção
de talentos e de capacidade técnica na Polícia Federal”, disse.
Convidado
desta semana no programa do SBT News, Edvandir Paiva revelou que há delegados
da Polícia Federal desmotivados e se preparando para mudar de carreira, indo para
magistratura ou Ministério Público, por exemplo. “Minha carreira está
enfraquecida, não consegue reter talentos, não consegue atrair mais pessoas. À
medida que a nossa carreira começa a ser passagem, que nós vamos perder esse
capital humano, que nós não vamos atrair as melhores cabeças, não tem como
estar satisfeito com o governo”, ressaltou.
Um
dos motivos da insatisfação da categoria tem a ver com a decisão do governo de
determinar o retorno para Polícia Federal de delegados que desempenhavam função em outros
órgãos públicos com a justificativa de combater o crime organizado. Ao todo, há
53 delegados nesta situação. Em abril, ao anunciar a medida, Lula chegou a
afirmar que há delegados “fingindo trabalhar”. Não tem delegado da Polícia
Federal nenhum trabalhando fora e fingindo que está trabalhando. Os colegas
estão prestando um serviço onde quer que esteja de qualidade. Prova disso é que
os próprios órgãos pediram reconsideração porque querem manter esses profissionais
lá.
Delegado
há 19 anos, Paiva rebate a justificativa do governo e diz que o retorno desse
grupo de delegados não resolve o problema de combate ao crime organizado no
Brasil. A medida levanta ilações também dentro da corporação de que o governo
esteja reagindo a investigações que prejudiquem aliados. “A gente gostaria de
saber o que foi. A medida que não sabemos o real motivo, especulações ganham
força. Pela nossa experiência, 53 colegas levados de volta para Polícia Federal
não serão solução para crime organizado no país”, analisou. O programa Sala de
Imprensa com o presidente da Associação Nacional de Delegados da Polícia
Federal (ADPF), Edvandir Paiva, é destaque na programação do SBT News neste fim
de semana na TV, no YouTube e nas redes do canal de notícia. Fonte:SBT News