sábado, 18 de abril de 2026

MENSAGENS REVELAM "AJUDA" DE CHEFE DO BANCO CENTRAL AO BANCO MASTER ENQUANTO ERA SERVIDOR

Por BNews

João André Calvino trocou mensagens com Augusto Lima enquanto ainda era servidor do BC, levantando questões éticas e legais. Divulgação.

Mensagens encontradas no celular do ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, o baiano, Augusto Lima, mostram que o ex-chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, João André Calvino, prestou serviço às instituição financeira de Daniel Vorcaro no período em que ainda estava no cargo. As informações são da coluna de Fabio Serapião, no portal UOL. De acordo com a publicação, Calvino comandou o departamento do BC entre 2018 e 2019 e deixou de ser servidor do Banco Central em junho de 2025. Ele trocou mensagens com Lima em janeiro daquele ano. Logo, a interação entre eles enquanto Calvino ainda estava no Banco Central. Dados obtidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado revelam que a empresa de Calvino, a JGM Solutions, recebeu R$ 3 milhões do Banco Master em 2025 para prestar assessoria à instituição financeira de Vorcaro sobre questões ligadas ao Banco de Brasília (BRB). 

Com as mensagens, foi possível observar que Calvino conversava tanto com Lima como com Daniel Vorcaro enquanto era servidor do Banco Central.  No dia 5 de janeiro do ano passado, Calvino enviou um arquivo para Lima que, segundo ele, também foi repassada a Vorcaro. Trata-se de um PDF intitulado "Master e BRB Liquidez", que tratava da transferência de liquidez pelo BRB ao conglomerado do Banco Master. No documento, o então servidor do BC avaliou alguns pontos relacionados aos bancos e apresentou “soluções e ponderações". Já no dia 9 de janeiro, Calvino enviou outra mensagem e novo documento para Augusto Lima.  "Boa tarde, Augusto [Lima]. Segue roteiro com os pontos de atenção e elementos pra viabilizar a consolidação Master/BRB. Desculpe-me pela demora, mas eu estava montando uma estimativa de balanço consolidado. Ainda não conversei com Daniel, mas seria importante definirmos próximos passos. Abs", diz o servidor do Baco Central.

O documento, intitulado "Consolidação do Master no BRB", tem quatro páginas com detalhes sobre o tema. "A hipótese de consolidação do Banco Master no conglomerado prudencial do BRB é complexa em razão da dificuldade operacional, da sensibilidade política e de provável repercussão negativa ao envolver uma instituição pública e uma instituição que constantemente vem tendo sua reputação questionada", escreveu no tópico sobre o contexto. Calvino envia uma nova mensagem no dia 15 de janeiro, em que orienta Lima como o Master deveria proceder em relação ao BRB.

"Augusto, boa tarde. Outra possibilidade quanto aos DIs com o BEB, caso não avance a consolidação, e fazer essa operação com garantia. Algumas garantias reduzem o limite de exposição por cliente (LEC), a exemplo de ações que entram em índices de bolsas", diz trecho da mensagem. Calvino é o terceiro servidor do Banco Central a aparecer na investigação sobre o Master. Além dele, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, foram alvos por supostamente prestarem consultoria informal para o banco de Vorcaro. Procurado, Calvino não se manifestou. A defesa de Vorcaro diz que não vai comentar o caso. Já os advogados de Lima afirmaram em nota que não tiveram acesso aos "dados extraídos de celulares mencionados pela investigação e, portanto, não reconhece qualquer mensagem a ele atribuída".

"De todo modo, os relatos investigativos só corroboram o que a defesa vem sustentando desde o início: Augusto Lima não participou das operações financeiras investigadas e não teve qualquer tratativa com a cúpula do BRB. As operações investigadas são posteriores à sua saída do banco, ocorrida em maio de 2024", diz a nota. teve qualquer tratativa com a cúpula do BRB. As operações investigadas são posteriores à sua saída do banco, ocorrida em maio de 2024", diz a nota. Fonte: BNews.