Por BNews
João André Calvino trocou mensagens com Augusto Lima enquanto ainda era servidor do BC, levantando questões éticas e legais. Divulgação.
Mensagens
encontradas no celular do ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, o baiano, Augusto
Lima, mostram que o ex-chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro
do Banco Central, João André Calvino, prestou serviço às instituição financeira
de Daniel Vorcaro no período em que ainda estava no cargo. As informações são
da coluna de Fabio Serapião, no portal UOL. De acordo com a publicação, Calvino
comandou o departamento do BC entre 2018 e 2019 e deixou de ser servidor do
Banco Central em junho de 2025. Ele trocou mensagens com Lima em janeiro
daquele ano. Logo, a interação entre eles enquanto Calvino ainda estava no Banco
Central. Dados obtidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime
Organizado revelam que a empresa de Calvino, a JGM Solutions, recebeu R$ 3
milhões do Banco Master em 2025 para prestar assessoria à instituição
financeira de Vorcaro sobre questões ligadas ao Banco de Brasília (BRB).
Com
as mensagens, foi possível observar que Calvino conversava tanto com Lima como
com Daniel Vorcaro enquanto era servidor do Banco Central. No dia 5 de janeiro do ano passado, Calvino
enviou um arquivo para Lima que, segundo ele, também foi repassada a Vorcaro.
Trata-se de um PDF intitulado "Master e BRB Liquidez", que tratava da
transferência de liquidez pelo BRB ao conglomerado do Banco Master. No
documento, o então servidor do BC avaliou alguns pontos relacionados aos bancos
e apresentou “soluções e ponderações". Já no dia 9 de janeiro, Calvino
enviou outra mensagem e novo documento para Augusto Lima. "Boa tarde, Augusto [Lima]. Segue roteiro
com os pontos de atenção e elementos pra viabilizar a consolidação Master/BRB. Desculpe-me
pela demora, mas eu estava montando uma estimativa de balanço consolidado.
Ainda não conversei com Daniel, mas seria importante definirmos próximos
passos. Abs", diz o servidor do Baco Central.
O
documento, intitulado "Consolidação do Master no BRB", tem quatro
páginas com detalhes sobre o tema. "A hipótese de consolidação do Banco
Master no conglomerado prudencial do BRB é complexa em razão da dificuldade
operacional, da sensibilidade política e de provável repercussão negativa ao
envolver uma instituição pública e uma instituição que constantemente vem tendo
sua reputação questionada", escreveu no tópico sobre o contexto. Calvino
envia uma nova mensagem no dia 15 de janeiro, em que orienta Lima como o Master
deveria proceder em relação ao BRB.
"Augusto,
boa tarde. Outra possibilidade quanto aos DIs com o BEB, caso não avance a
consolidação, e fazer essa operação com garantia. Algumas garantias reduzem o
limite de exposição por cliente (LEC), a exemplo de ações que entram em índices
de bolsas", diz trecho da mensagem. Calvino é o terceiro servidor do Banco
Central a aparecer na investigação sobre o Master. Além dele, Paulo Sérgio
Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Bellini Santana,
ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, foram alvos por supostamente
prestarem consultoria informal para o banco de Vorcaro. Procurado, Calvino não
se manifestou. A defesa de Vorcaro diz que não vai comentar o caso. Já os
advogados de Lima afirmaram em nota que não tiveram acesso aos "dados
extraídos de celulares mencionados pela investigação e, portanto, não reconhece
qualquer mensagem a ele atribuída".