Por SBT News
Lula discursa durante o encontro progressista na Espanha | Ricardo Stuckert/PR
Em
pronunciamento na primeira reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado à esquerda ao
dizer neste último sábado (18/4) que a ascensão da extrema-direita pelo mundo está
ligada a uma desconexão entre o discurso e a prática de governos progressistas.
Para Lula, partidos de esquerda perderam a credibilidade entre o eleitorado por
assumir mandatos com uma promessa mas, quando no governo, aplicarem medidas de
austeridade fiscal e contração de gastos públicos.
“Nós
nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que o outro lado se apresenta
agora como antissistema. O primeiro mandamento para os progressistas tem que
ser a coerência. Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro.
Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se
veja como progressista, ela quer o que nós propomos”, afirmou o petista a uma
plateia formada por líderes globais em defesa da democracia e do
multilateralismo.
O
petista disse que a falta do cumprimento de pautas ligadas à garantia de acesso
digno a serviços básicos e uma jornada de trabalho equilibrada com o ganho
salarial foi capitalizada pela extrema-direita, que “canalizou a frustração das
pessoas inventando mentiras e mais mentiras". Na fileira em frente a Lula
acompanharam o discurso figuras como o ex-premiê da Espanha José Luis Zapatero
(2004-2011) e o atual, Pedro Sánchez; a primeira-dama Janja; e o governador de
Minnesota, Tim Walz, candidato a vice-presidente pelo Partido Democrata na
chapa de Kamala Harris em 2024.
“A
gente tem que entender uma coisa muito importante: várias vezes fomos vítimas
da nossa inocência política. Quantas vezes, Pedro [Sánchez], a gente ganha a
eleição e depois a imprensa, o sistema financeiro, os acadêmicos conservadores
escrevem artigos e matérias na imprensa obrigando a gente a tentar destruir
aquilo que foi a razão da nossa eleição? A gente vai ficando com medo, tentando
agradar o mercado, agradar o empresário. E o que acontece é que nós acabamos
ficando desmoralizados", afirmou.
Lula
apontou o dedo para bilionários como os verdadeiros culpados pela crise global
e atribuiu ao grupo – que, segundo a Forbes, reúne hoje 3.428 pessoas a
responsabilidade pela concentração de renda, a destruição da natureza, a
fragmentação social via manipulação de algoritmos e a exploração do trabalho. Na
sequência, o petista soltou uma indireta mirando a família Bolsonaro ao citar
as incongruências praticadas pela direita.
“Nosso papel é desmascarar essas forças, aqueles que dizem estar ao lado do povo, mas governam para os mais ricos. Que dizem ser patriotas, mas põem a soberania à venda e pedem sanções contra o seu próprio país; que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e o abuso sexual de crianças; que se declaram donos da verdade, mas espalham mentiras e desinformação; que se consideram homem de Deus, mas não tem amor ao próximo; que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”.
Yamandu Órsi, Claudia Sheibaum, Gustavo Petro e Lula | Ricardo Stuckert/PR
Mais
cedo, durante o 4ª encontro do Fórum em Defesa da Democracia, Lula voltou a
criticar a Organização das Nações Unidas (ONU) pela incapacidade de impedir
conflitos globais. Durante a tarde, ele fez uma cobrança direta voltada aos
líderes dos EUA, China, França, Reino Unido e Rússia, que compõem o núcleo duro
do Conselho de Segurança e tem direito a vetar resoluções. Fonte: SBT News