Por BNews
A prisão do ex-presidente do BRB,
Paulo Henrique Costa, ocorrida nesta quinta-feira (16/4), escancara um rastro de
luxo que chamou a atenção dos investigadores: apartamentos milionários,
endereços cobiçados e negociações feitas às pressas. A Polícia Federal (PF) foi
atrás e encontrou seis imóveis ligados ao esquema quatro em São Paulo, dois em
Brasília. No papel, tudo somado passa de R$ 140 milhões, segundo a colunista
Malu Gaspar, de O Globo. Na prática, a suspeita é de que parte desse patrimônio
tenha sido usada como moeda de troca para viabilizar operações consideradas
fraudulentas dentro do banco. A ordem de prisão partiu do ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em decisão mantida sob sigilo no âmbito
da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por corrupção passiva e lavagem
de dinheiro.
APARTAMENTO DE ALTO PADRÃO NO
RADAR
Entre os imóveis mapeados, alguns
ficam em áreas onde o metro quadrado já não é para qualquer bolso. Um deles
está no edifício Vizcaya Itaim, próximo à Faria Lima, em São Paulo um por
andar, 25 unidades no total. Ainda em fase final de obra, com entrega prevista
para julho, os apartamentos ali são anunciados entre R$ 30 milhões e R$ 46
milhões. Restam poucos. Outro endereço chama ainda mais atenção: o Heritage,
também no Itaim. No mercado imobiliário de alto padrão, é tratado como um dos
prédios mais caros do país. As unidades chegam a mil metros quadrados e
ultrapassam facilmente a casa dos R$ 40 milhões. No meio desse cenário, o nome
de Paulo Henrique Costa chegou a aparecer na lista de moradores.
PRESSA PARA VENDER
Mensagens encontradas no celular
do empresário Daniel Vorcaro dono do Banco Master indicam um movimento curioso
no dia em que ele foi preso. Havia pressa para vender um dos apartamentos no
Vizcaya. O motivo: o avanço de apurações que já miravam o imóvel como possível
pagamento de propina. Segundo a colunista, nos bastidores do mercado
imobiliário, a desconfiança já circulava. Corretores tentaram negociar algumas
dessas unidades nos últimos meses, mas esbarraram na mesma barreira: a origem
do dinheiro levantava dúvidas.
OPERAÇÃO ALCANÇA OPERADOR
FINANCEIRO
Além de Costa, a operação também
atinge o advogado Daniel Monteiro. Ele aparece como peça-chave na engrenagem
financeira: administrava fundos e contas que, na visão da PF, teriam sido
usados por Vorcaro para desviar recursos do banco e irrigar pagamentos indevidos.
Monteiro, considerado homem de confiança do empresário, chegou a representar o
Banco Master em tratativas com o BRB.
NEGATIVA ANTERIOR
As suspeitas envolvendo pelo
menos um dos apartamentos já tinham vindo à tona antes, em reportagem do Uol.
Na ocasião, Paulo Henrique Costa negou qualquer ligação com o imóvel ou com
tentativas de venda. Agora, de acordo com a colunista, com a investigação mais
avançada, o conjunto de bens de alto padrão entra no centro da apuração, não só
pelo valor, mas pelo papel que pode ter desempenhado dentro do esquema. Fonte:
BNews.