quinta-feira, 16 de abril de 2026

IMÓVEIS DE LUXO DE R$ 46 MILHÕES ENTRAM NA MIRA DA POLÍCIA FEDERAL EM INVESTIGAÇÃO CONTRA EX-CHEFE DO BRB

Por BNews

Mensagens indicam tentativa de negociação de imóvel de alto padrão em meio ao avanço das investigações   Ana Paula Paiva e Paulo H. Carvalho/Agência Brasília.

A prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, ocorrida nesta quinta-feira (16/4), escancara um rastro de luxo que chamou a atenção dos investigadores: apartamentos milionários, endereços cobiçados e negociações feitas às pressas. A Polícia Federal (PF) foi atrás e encontrou seis imóveis ligados ao esquema quatro em São Paulo, dois em Brasília. No papel, tudo somado passa de R$ 140 milhões, segundo a colunista Malu Gaspar, de O Globo. Na prática, a suspeita é de que parte desse patrimônio tenha sido usada como moeda de troca para viabilizar operações consideradas fraudulentas dentro do banco. A ordem de prisão partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, em decisão mantida sob sigilo no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

APARTAMENTO DE ALTO PADRÃO NO RADAR

Entre os imóveis mapeados, alguns ficam em áreas onde o metro quadrado já não é para qualquer bolso. Um deles está no edifício Vizcaya Itaim, próximo à Faria Lima, em São Paulo um por andar, 25 unidades no total. Ainda em fase final de obra, com entrega prevista para julho, os apartamentos ali são anunciados entre R$ 30 milhões e R$ 46 milhões. Restam poucos. Outro endereço chama ainda mais atenção: o Heritage, também no Itaim. No mercado imobiliário de alto padrão, é tratado como um dos prédios mais caros do país. As unidades chegam a mil metros quadrados e ultrapassam facilmente a casa dos R$ 40 milhões. No meio desse cenário, o nome de Paulo Henrique Costa chegou a aparecer na lista de moradores.

PRESSA PARA VENDER

Mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro dono do Banco Master indicam um movimento curioso no dia em que ele foi preso. Havia pressa para vender um dos apartamentos no Vizcaya. O motivo: o avanço de apurações que já miravam o imóvel como possível pagamento de propina. Segundo a colunista, nos bastidores do mercado imobiliário, a desconfiança já circulava. Corretores tentaram negociar algumas dessas unidades nos últimos meses, mas esbarraram na mesma barreira: a origem do dinheiro levantava dúvidas.

OPERAÇÃO ALCANÇA OPERADOR FINANCEIRO

Além de Costa, a operação também atinge o advogado Daniel Monteiro. Ele aparece como peça-chave na engrenagem financeira: administrava fundos e contas que, na visão da PF, teriam sido usados por Vorcaro para desviar recursos do banco e irrigar pagamentos indevidos. Monteiro, considerado homem de confiança do empresário, chegou a representar o Banco Master em tratativas com o BRB.

NEGATIVA ANTERIOR

As suspeitas envolvendo pelo menos um dos apartamentos já tinham vindo à tona antes, em reportagem do Uol. Na ocasião, Paulo Henrique Costa negou qualquer ligação com o imóvel ou com tentativas de venda. Agora, de acordo com a colunista, com a investigação mais avançada, o conjunto de bens de alto padrão entra no centro da apuração, não só pelo valor, mas pelo papel que pode ter desempenhado dentro do esquema. Fonte: BNews.