segunda-feira, 13 de abril de 2026

CÁRMEN LÚCIA RECONHECE TENSÃO NO STF EM MEIO AO CASO MASTER E DIZ: "EU NÃO FAÇO NADA ERRADO"

Por Bahia Notícias

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em um momento em que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) recebem atenção pública pelo comportamento em casos como do Banco Master e de relatos de estranhamento entre os magistrados, a ministra Cármen Lúcia disse ter ciência da tensão que a corte vive e que, embora não possa falar em nome de todo o Supremo por não ser a presidente, consegue assegurar que ela não faz nada fora da lei. "Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei", afirmou nesta segunda-feira (13/4), durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo. "Eu não faço nada errado", completou. "Tenho ciência da tensão que vivemos". Cármen disse que o Brasil vive um momento de desconfiança generalizada, o que justifica em parte a crise do tribunal. 

Declarou, entretanto, que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa "mostrar ao povo que estamos ali para servir" e falou da necessidade de transparência das ações dos ministros fora de Brasília. A ministra avalia ser saudável que os magistrados saiam de seus gabinetes para ouvir a sociedade, mas que o movimento precisa ser divulgado e explicado. "Tem que saber como sair, para onde ir e como torna isso transparente. Todo mundo sabe, no Brasil hoje, que eu estou aqui agora de manhã. Minhas agendas são públicas", exemplificou.

A magistrada falou que essa transparência ajuda o Poder Judiciário, o STF e, principalmente, a convivência entre os ministros. "Nesse momento de maior tensão, em que se questiona tanto o próprio Supremo na sua dinâmica, uma parte do que eu escuto é fato: mais tenso, muito mais difícil a vida de todos." Cármen Lúcia disse que a corte vive fase de "questionamento". Afirmou também que, como ministra, recebe "críticas ácidas". Nesses momentos, ela diz repetir para si mesma: "Cármen, lembra, você faz direito, não milagres". A magistrada afirmou que, como mulher, é alvo de discurso "sexista, machista e desmoralizante" e que familiares já sugeriram que deixasse o cargo.

Questionada sobre sugestão de mudanças no STF reunidas por especialistas em um documento organizado pela Fundação FHC e entregue à corte, a ministra sinalizou que algumas propostas podem não ser condizentes com os desafios internos do tribunal, marcado pelo excesso de demanda. Ela criticou o volume de ações que chegam ao Supremo, dizendo que a corte tem rotina marcada por muitas atribuições. Citou também mudanças tecnológicas, como as redes sociais, para explicar que os juízes não têm respostas prontas para problemas inéditos, o que aumentaria o desafio da corte na atualidade. "Cada manhã nós temos uma indagação nunca feita antes na história da humanidade. Por exemplo, sobre as redes sociais."

A ministra falou ainda sobre a dificuldade no exercício de ser presidente do STF. "Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem facilidade nenhuma.". A fala da magistrada se deu durante palestra na Fundação FHC, em evento que faz parte de um ciclo de debates com lideranças públicas sobre os desafios do Brasil. Fonte: Bahia Notícias.