Por Bahia Notícias
Foto: Marcelo Camargo / Agência BrasilEm um momento em que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) recebem atenção pública pelo comportamento em casos como do Banco Master e de relatos de estranhamento entre os magistrados, a ministra Cármen Lúcia disse ter ciência da tensão que a corte vive e que, embora não possa falar em nome de todo o Supremo por não ser a presidente, consegue assegurar que ela não faz nada fora da lei. "Da minha parte, digo: podem dormir tranquilos. Não há uma linha minha que esteja fora da lei", afirmou nesta segunda-feira (13/4), durante palestra na Fundação FHC, no centro de São Paulo. "Eu não faço nada errado", completou. "Tenho ciência da tensão que vivemos". Cármen disse que o Brasil vive um momento de desconfiança generalizada, o que justifica em parte a crise do tribunal.
Declarou, entretanto, que o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa
"mostrar ao povo que estamos ali para servir" e falou da necessidade
de transparência das ações dos ministros fora de Brasília. A ministra avalia
ser saudável que os magistrados saiam de seus gabinetes para ouvir a sociedade,
mas que o movimento precisa ser divulgado e explicado. "Tem que saber como
sair, para onde ir e como torna isso transparente. Todo mundo sabe, no Brasil
hoje, que eu estou aqui agora de manhã. Minhas agendas são públicas",
exemplificou.
A
magistrada falou que essa transparência ajuda o Poder Judiciário, o STF e,
principalmente, a convivência entre os ministros. "Nesse momento de maior
tensão, em que se questiona tanto o próprio Supremo na sua dinâmica, uma parte
do que eu escuto é fato: mais tenso, muito mais difícil a vida de todos." Cármen
Lúcia disse que a corte vive fase de "questionamento". Afirmou também
que, como ministra, recebe "críticas ácidas". Nesses momentos, ela diz
repetir para si mesma: "Cármen, lembra, você faz direito, não
milagres". A magistrada afirmou que, como mulher, é alvo de discurso
"sexista, machista e desmoralizante" e que familiares já sugeriram
que deixasse o cargo.
Questionada
sobre sugestão de mudanças no STF reunidas por especialistas em um documento
organizado pela Fundação FHC e entregue à corte, a ministra sinalizou que
algumas propostas podem não ser condizentes com os desafios internos do
tribunal, marcado pelo excesso de demanda. Ela criticou o volume de ações que
chegam ao Supremo, dizendo que a corte tem rotina marcada por muitas
atribuições. Citou também mudanças tecnológicas, como as redes sociais, para
explicar que os juízes não têm respostas prontas para problemas inéditos, o que
aumentaria o desafio da corte na atualidade. "Cada manhã nós temos uma
indagação nunca feita antes na história da humanidade. Por exemplo, sobre as
redes sociais."
A
ministra falou ainda sobre a dificuldade no exercício de ser presidente do STF.
"Sei o que é estar na presidência tentando acertar. Não é simples. Não tem
facilidade nenhuma.". A fala da magistrada se deu durante palestra na
Fundação FHC, em evento que faz parte de um ciclo de debates com lideranças
públicas sobre os desafios do Brasil. Fonte: Bahia Notícias.