Por A veracidade
Foto ilustrativa
Uma
denúncia da conta que trabalhadores de uma empresa de telemarketing em Feira de
Santana, tem restringido a ida de funcionários ao banheiro realizarem suas
necessidades fisiológicas. Segundo relatos das denúncias de funcionários a
empresa é a Atento. A história, contada por quem vive o outro lado da linha,
tem contornos de absurdo. Funcionários afirmam que mudanças recentes no sistema
de monitoramento de pausas transformaram o expediente em uma espécie de prova
de resistência. O trabalhador fala, atende, escuta reclamação, segura a linha,
e segura mais coisa também.
De
acordo com os relatos, ao tentar acionar a pausa para necessidades fisiológicas
fora dos intervalos oficiais de lanche ou refeição, o sistema simplesmente
ignora o pedido. Em alguns casos, libera um “alívio” de apenas 10 segundos.
Isso mesmo, 10 segundos. Tempo suficiente para respirar fundo, e só. Passado
esse piscar de olhos, uma nova chamada cai na tela, como se o corpo humano
funcionasse no ritmo de um robô bem programado. O que chama atenção é que não
se trata apenas de desconforto ou rigor exagerado. A prática, se confirmada,
esbarra de frente na Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), do Ministério do
Trabalho, que trata da ergonomia e das condições de trabalho. A regra é clara,
saúde e dignidade do trabalhador não são opcionais.
Ignorar
isso pode sair caro. Multas, autuações, ações judiciais por danos morais e
materiais, indenizações por doenças ocupacionais, interdição do local de trabalho
e desgaste da imagem da empresa estão no pacote. Em casos mais graves, a
responsabilidade pode ultrapassar a esfera administrativa e chegar à criminal.
A restrição ao uso do banheiro afeta de forma direta a saúde das mulheres, que
necessitam de acesso irrestrito por questões biológicas e de higiene. Negar
isso não é só gestão ruim; é fechar os olhos para a realidade do corpo humano. Por:
Fábio Negriny / DRT 3307/Fonte: A veracidade.