sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

"PODERES TÊM RECEIO DE INVESTIGAR O BANCO MASTER", AFIRMA SENADOR ALESSANDRO VIEIRA

 Por Gazeta Brasil

“Ninguém coloca de pé um esquema de crime deste tamanho, sem conivência do aparelho estatal”, afirmou o senador. Para Vieira, o avanço das apurações nesses casos evidencia a necessidade de tratamento semelhante em relação ao Banco Master, que, segundo ele, ainda enfrenta resistência para ser plenamente investigado. O senador disse que, enquanto as apurações sobre emendas parlamentares e o INSS avançam com Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) em andamento e processos no Supremo Tribunal Federal (STF), é fundamental que também haja progresso nas investigações envolvendo o Banco Master. “O objetivo com uma Comissão Parlamentar dessa é colocar luz nos fatos. Ninguém está condenando previamente a doutora Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, o próprio ministro ou quem quer que seja. Mas fatos dessa relevância têm que ser apurados”, disse.

Vieira criticou o que classificou como “promiscuidade” na relação entre o ambiente político, empresarial e a advocacia. “Não dá para permitir esse tipo de atuação e esse nível de promiscuidade”, afirmou o senador, ao defender maior rigor institucional e transparência. As declarações ocorrem após reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicada na segunda-feira (22), apontar que o ministro do STF Alexandre de Moraes teria feito contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo a reportagem, Moraes teria procurado Galípolo ao menos quatro vezes, por telefone e em encontros presenciais. De acordo com a apuração, o ministro teria solicitado informações sobre a análise do Banco Central a respeito da compra do Banco Master pelo BRB. A transação foi barrada pela autoridade monetária em setembro, sob o argumento de que não havia “viabilidade econômico-financeira” para o negócio.

Ainda segundo o blog, os contatos teriam ocorrido no contexto de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, para prestação de serviços jurídicos. O escritório representaria o banco e seu controlador, Daniel Vorcaro, junto a órgãos como o Banco Central, a Receita Federal, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Congresso Nacional. A reportagem afirma que Moraes teria buscado Galípolo para pressionar por decisões favoráveis ao Banco Master, defendendo a aprovação da venda ao BRB. Ainda segundo relatos citados, o presidente do Banco Central teria indicado a existência de indícios de fraudes nas operações do banco. Diante disso, Moraes teria afirmado que, caso a fraude fosse comprovada, o negócio não deveria ser aprovado. A Lei Orgânica da Magistratura estabelece restrições à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal, proibindo, por exemplo, o exercício de controle ou participação societária em empresas, além de impor limites a manifestações que possam gerar conflitos de interesse em processos sob análise da Corte.

Em nota divulgada nesta última terça-feira (23/12), Alexandre de Moraes confirmou que se reuniu com o presidente do Banco Central e com dirigentes de instituições financeiras, mas afirmou que os encontros tiveram como objetivo exclusivo tratar das consequências da aplicação da Lei Magnitsky, imposta pelos Estados Unidos ao magistrado em 30 de julho de 2025. Fonte: Gazeta Brasil.