Por Gazeta Brasil
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O Banco Central confirmou oficialmente que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky, sanção imposta pelo governo dos Estados Unidos ao magistrado e a integrantes de sua família em julho deste ano e revogada neste mês. A confirmação foi publicada no site oficial da instituição, após Moraes divulgar nota para justificar os encontros. Segundo o comunicado, as reuniões tiveram como foco os impactos da medida norte-americana e seus possíveis reflexos no sistema financeiro. A manifestação do BC reforça a versão apresentada por Alexandre de Moraes em resposta a uma reportagem da colunista Malu Gaspar, publicada na última segunda-feira (22/12), no jornal O Globo.
De acordo com a jornalista, o ministro teria procurado ao menos quatro vezes o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar de temas relacionados ao Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Ainda conforme a apuração, três desses encontros teriam ocorrido de forma presencial e um por telefone. A reportagem aponta que a suposta atuação de Moraes seria considerada sensível porque o Banco Master firmou um contrato de R$ 129 milhões com o escritório Barci de Moraes Advogados, pertencente à esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes. O acordo, segundo a colunista, previa pagamentos mensais de cerca de R$ 3 milhões e incluía a defesa dos interesses do banco em diferentes instâncias, como o Congresso Nacional e o próprio Banco Central.
Após
a publicação da matéria, parlamentares passaram a discutir a possibilidade de
abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a
atuação do Banco Master e eventuais conflitos de interesse. Congressistas já
articulam a coleta de assinaturas necessárias para a instalação da comissão no
Congresso Nacional.
ABAIXO A ÌTEGRA A NOTA DE MORAES NA
ÍNTEGRA ALEXNADRE DE MORAES:
“O
ministro Alexandre de Moraes esclarece que, em virtude da aplicação da Lei
Magnitsky, recebeu para reuniões o presidente do Banco Central, a presidente do
Banco do Brasil e o presidente e o vice-presidente Jurídico do Banco Itaú. Além
disso, participou de reunião conjunta com os presidentes da Confederação
Nacional das Instituições Financeira, da Febraban, do BTG e os vice-presidentes
do Santander e Itaú.
Em
todas as reuniões, foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as
graves consequências da aplicação da referida lei, em especial a possibilidade
de manutenção de movimentação bancária, contas correntes, cartões de crédito e
débito.”. Após a reportagem de Malu Gaspar, congressistas já falam em coletar
assinaturas para a abertura de uma CPI do Banco Master. Fonte: Gazeta Brasil.