segunda-feira, 8 de julho de 2024

TRÊS DELEGADOS E UM ESCRIVÃO DA POLÍCIA FEDERAL SÃO CONDENADOS À PRISÃO POR SUBORNAR FRAUDADORES DO INSS

Por SBT News

Três delegados e um escrivão da Polícia Federal (PF) foram condenados à prisão e perda do cargo, por subornarem investigados por crimes contra a Previdência Social, em São Paulo, cobrando propinas em troca de "blindagem". Outros dez acusados foram sentenciados, entre eles um funcionário terceirizado da PF, pela 9ª Vara Federal Criminal de São Paulo. As penas variam de 6 a 12 anos de prisão, mas os condenados podem recorrer em liberdade. Os quatro policiais federais foram alvos da Operação Inversão, em 2016, e chegaram a ser presos. O esquema foi descoberto após denúncia à Corregedoria da PF feita em 2015 por uma advogada, que era investigada na Operação Trânsito sobre fraudes em perícias médicas do INSS. A advogada disse ter sido extorquida pelos envolvidos, que cobraram propina para não a investigar. Os delegados e o escrivão trabalhavam na Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários (Deleprev) da PF, em São Paulo, em 2016. Eles negam os crimes e recorrem na Justiça.

ESQUEMA

Os policiais federais são acusados de abordarem as vítimas e cobrarem propinas que variavam de R$ 15 mil a mais de R$ 100 mil, para frear investigações contra eles, envolvendo fraudes no INSS. O dinheiro era pago por meio de terceiros, que propunham a "blindagem" e faziam as cobranças. O esquema de extorsão e subornos teria funcionado de 2012 a 2015, segundo o Ministério Público Federal (MPF). O caso foi denunciado em 2016. Para os procuradores da República, os condenados "transformaram a Deleprev, que deveria atuar na apuração de delitos previdenciários que tanto sangram os cofres da União num balcão de negócios e de impunidade".

Os delegados da PF Ulisses Francisco Vieira Mendes, ex-chefe da Deleprev, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão e o escrivão foram condenados por crimes de corrupção e por formação de organização criminosa. Um dos envolvidos teria desembolsado de R$ 500 mil a R$ 800 mil para não ser alvo de pedido de prisão e buscas da PF, nem ser monitorado ou interrogado, mostraram as investigações da Operação Inversão. Em 2019, os policiais federais negaram envolvimento nos crimes e pediram o fim do processo. Informação SBT News.