Por SBT News
Três
delegados e um escrivão da Polícia Federal (PF) foram condenados à prisão e
perda do cargo, por subornarem investigados por crimes contra a Previdência
Social, em São Paulo, cobrando propinas em troca de "blindagem". Outros
dez acusados foram sentenciados, entre eles um funcionário terceirizado da PF,
pela 9ª Vara Federal Criminal de São Paulo. As penas variam de 6 a 12 anos de
prisão, mas os condenados podem recorrer em liberdade. Os quatro policiais
federais foram alvos da Operação Inversão, em 2016, e chegaram a ser presos. O
esquema foi descoberto após denúncia à Corregedoria da PF feita em 2015 por uma
advogada, que era investigada na Operação Trânsito sobre fraudes em perícias
médicas do INSS. A advogada disse ter sido extorquida pelos envolvidos, que
cobraram propina para não a investigar. Os delegados e o escrivão trabalhavam
na Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários (Deleprev) da PF, em São
Paulo, em 2016. Eles negam os crimes e recorrem na Justiça.
Os policiais federais são acusados de abordarem as vítimas e cobrarem propinas que variavam de R$ 15 mil a mais de R$ 100 mil, para frear investigações contra eles, envolvendo fraudes no INSS. O dinheiro era pago por meio de terceiros, que propunham a "blindagem" e faziam as cobranças. O esquema de extorsão e subornos teria funcionado de 2012 a 2015, segundo o Ministério Público Federal (MPF). O caso foi denunciado em 2016. Para os procuradores da República, os condenados "transformaram a Deleprev, que deveria atuar na apuração de delitos previdenciários que tanto sangram os cofres da União num balcão de negócios e de impunidade".
Os delegados da PF Ulisses Francisco Vieira Mendes, ex-chefe da Deleprev, Rodrigo Cláudio de Gouvea Leão e Carlos Bastos Valbão e o escrivão foram condenados por crimes de corrupção e por formação de organização criminosa. Um dos envolvidos teria desembolsado de R$ 500 mil a R$ 800 mil para não ser alvo de pedido de prisão e buscas da PF, nem ser monitorado ou interrogado, mostraram as investigações da Operação Inversão. Em 2019, os policiais federais negaram envolvimento nos crimes e pediram o fim do processo. Informação SBT News.